‘Eu me preparei para ser prefeito”, afirma Marquinhos

O deputado estadual e pré-candidato a prefeito de Campo Grande pelo PSD, MarquinhosTrad, fala sobre os planos para disputar as próximas eleições e como se preparou ao longo de vida política para assumir a chefia do Executivo. Segundo ele, o maior desafio do próximo prefeito será devolver o desenvolvimento da cidade, recuperar a autoestima dos cidadãos, da sociedade, e recobrar o ânimo do funcionalismo. Para isso, ele pretende montar uma equipe técnica e compentente. Marquinhos também fala sobre a tradição da Família Trad na política e destaca que todos foram eleitos pela população, num processo democrático. Ele ainda comenta sobre o ciclo de imoralidade e corrupção no país.

Confira:
JD – O senhor está preparado para ser prefeito?

Marquinhos Trad –  Ser prefeito de Campo Grande nunca foi uma idéia fixa, uma obsessão, mas um sonho que veio se cristalizando à medida em que eu avançava, com dedicação, persistência e muita humildade, na vida pública. Fui secretário municipal de Assuntos Fundiários por sete anos, regularizei vários núcleos de favelas e participei de iniciativas para reduzir drasticamente os índices de habitações sub-humanas, as condições de insalubridade. Esse desempenho social e humano foi muito utilizado nos programas do meu ex-partido que Campo Grande era uma cidade sem favelas. Conseguimos naquela época a regularização de quase 117 núcleos de favelas na nossa cidade. Tornei-me vereador e estou no meu terceiro mandato de deputado estadual. Portanto, o que posso dizer é que a minha própria trajetória pública constitui o processo que tem me preparado para o desafio de governar Campo Grande, de liderar a tarefa comum de resgatar a eficiência e a dignidade da administração pública. Nesse sentido, estou, sim, preparado. Mas não tenho a arrogância de quem acha que tem receitas milagreiras. Se eleito, quero governar sintonizado com os sentimentos populares, com o Poder Legislativo, cuja dimensão e importância de alguma forma ajudei a construir ao longo de quatro mandatos.  

JD – Acredita que tem experiência administrativa para o cargo de prefeito?

Marquinhos – Hoje eu sei exatamente como funciona o Executivo por ter por sete anos participado de gestões anteriores. Eu sou legislador há 11 anos, sei como existe a harmonia entre os dois poderes, entendo as necessidades das pessoas. Fui vereador e sou deputado não de gabinete, mas ando nas ruas, frequento os bairros e tenho noção exata do que Campo Grande precisa e o que falta para que o poder público possa alcançar essas pessoas. E aqui quero assinalar um aspecto muito importante: a função de prefeito não exige um guru ou gênio que sabe – ou pensa que sabe – tudo. A condição indispensável para que alguém assuma o governo de uma Capital com as demandas sociais e os problemas estruturais de Campo Grande, é que tenha sensibilidade política, liderança e visão para escolher assessores competentes e coragem para chamar a sociedade para debater e definir projetos definidores de futuro.
 
JD – Se o senhor tomasse posse agora, quais seriam suas primeiras medidas?

Marquinhos – Primeiro, minha equipe seria extremamente técnica. Ninguém governa sozinho, cidade não pode ter dono. Política é coisa séria para ser tratada apenas pelos políticos. Se você não tiver um engajamento da sociedade civil organizada, dos conselhos de classes, dos conselhos municipais, a certeza de que todos irão colaborar com você, você tende ao fracasso. Centralismo, personalismo, é o caminho mais curto para o fracasso de qualquer gestão. Depois de montar essa equipe extremamente técnica, competente, qualificada, nós vamos conversar com funcionário público, que hoje está profundamente desmotivado. Atualmente, não há diálogo entre a administração  e o funcionalismo. Basta ver que greves,  paralisações de alerta e outras formas de protesto  têm sido uma constante em Campo Grande. Não porque o prefeito não quer atendê-los nos reajustes, mas porque ele sequer os recebe. Esse é o maior problema na nossa administração: a soberba. Falta entendimento e sobra soberba. 

JD – É possível ter uma equipe técnica hoje com as coligações que são feitas durante o período de campanha?

Marquinhos – Uma sociedade política existe para nobres ações e não para acomodações de afiliados coligados. Vamos fazer coligações, sim, mas com aqueles que querem o bem de Campo Grande, e não com aqueles que buscam acomodação de interesses escusos, privatização criminosa da gestão pública ou compadrio. Os tempos são outros. Não farei coligação por tempo de televisão. Farei coligação com partidos que, independentemente do chamado ‘espaço’ na futura administração, expressem a firme e pública determinação de reorganizar Campo Grande, de reconstruir esta cidade que todos nós amamos. 

JD – A questão hoje crucial aos olhos da opinião pública é a falta de manutenção da cidade, principalmente as ruas esburacadas. Como você vê isso?

Marquinhos – Ausência de gestão. Recentemente uma reportagem noticiou que nenhuma indústria veio à nossa capital nos últimos três anos. O jornal procurou entrevistar o secretário e, pasmem, até hoje não temos um titular para a Secretaria de Desenvolvimento dentro da prefeitura. A partir do momento em que você tem gestão, uma equipe, você coloca o órgão público para funcionar. A prefeitura deve ser vista como uma empresa pública, que só vai produzir – serviços eficazes, proteção à cidadania – corretamente quando seus funcionários são motivados para a dedicação e o empenho. 

E aqui volto ao aspecto da liderança. O prefeito deve estar consciente de que o voto popular não lhe atribui a condição de patrão, de dono ou ‘donatário’ da administração municipal. Deve saber que sua condição de líder lhe confere, sobretudo, o dever mobilizar as forças e competências do funcionalismo em favor da sociedade. Para isso, tem de garantir estrutura, salários pagos em dia. Além do que, o exercício da liderança na vida pública não tolera a arrogância dos que detêm  o poder transitório. Aqui, o principal gabinete da Prefeitura parece ser um enorme gerador de energia negativa, de confronto e de discórdia. É preciso desligar esse pernicioso gerador.  

JD – A sua família é vista por boa parte da sua cidade como uma oligarquia. Existe muito Trad na classe política?

Marquinhos – O filho sempre quer ser igual ao pai. E meu pai, reconhecidamente, sempre foi um exemplo a ser seguido. Mas, cada um de nós, antes do ingresso no mundo da política, sempre buscou o seu próprio caminho como profissional liberal e também no magistério universitário. Eu sou advogado e professor universitário. Fábio e Nelson, da mesma maneira, antes de entrarem na política, se destacaram na profissão e se credenciaram à atividade política pelos seus méritos. Portanto, nenhum de nós chegou a ser o que é por apadrinhamento, mas pelo trabalho e esforço de cada um. Por outro lado, se chegamos aonde chegamos no âmbito da política, o fizemos graças ao carinho e confiança do nosso povo, pois, sempre, foi o povo quem decidiu e democracia é isso…

JD – Como o senhor avalia a gestão Bernal?

Marquinhos – Teve dificuldades principalmente pela soberba. Dificuldades de personalidade, dificuldades de relacionamento, que levaram Campo Grande a um momento em que avançamos o limite do suportável. Não falo apenas da ausência de uniformes, da inexistência de merenda escolar, das ruas esburacadas, dos sumiços das vacinas. Eu falo da ausência absoluta do diálogo, do consenso. Impera a prepotência, a soberba, o autoritarismo onde você não pode nem discordar de questões técnicas, sob o risco de ser demitido, como  o prefeito fez com diretores. A grande realidade é que o Bernal age de uma maneira e se apresenta à sociedade de outra forma. E a máscara está caindo.

Jornal de Domingo – Em sua opinião, qual será o maior desafio do próximo prefeito de Campo Grande?

Marquinhos – É devolver o desenvolvimento da nossa cidade, recuperar a autoestima dos cidadãos, da sociedade, e recobrar o ânimo do funcionalismo, hoje tão menosprezado pelo Executivo. Para isso, é preciso exigir que a equipe atue com eficiência. Acredito muito no acompanhamento objetivo, direto, feito pelo líder: estar presente nos postos de saúde, visitando, avaliando desempenho, ouvindo a população; ter o controle da máquina arrecadatória; gastar menos do que arrecada; diminuir os cargos comissionados; buscar alternativas para uma gestão eficiente e produtiva, com projetos e pessoas qualificadas, que querem levar a nossa cidade a voltar a sorrir. Campo Grande hoje passa por extrema dificuldade. O prefeito brigou com os médicos, com os professores, com diretores, com merendeiras, com o serviço de limpeza da cidade, com os enfermeiros e até com ele mesmo. E a população amarga a ausência do poder público municipal.

JD – Como vê esse ciclo de imoralidade no país e a descrença da população com a classe política?

Marquinhos – Esse é um processo doloroso e aparentemente “interminável”. Além do caráter pedagógico das condenações de políticos, executivos e empresários corruptos, essa assepsia ética que varre os altos escalões dos governos tem um efeito colateral benéfico: desperta a consciência do cidadão para a importância da verdadeira política, do político limpo. Quem não gosta da política vai ser comandado por quem gosta. E, se quem gosta de política gostar também do malfeito, o desastre da imoralidade se expande. Nesse aspecto, a crise moral na política, que a mídia mostra todo dia, pode ter, sim, o efeito benfazejo de mobilizar gente com fibra cívica e estrutura ética para a militância política. A propósito, se o cidadão eleitor ainda tem dúvidas se o político pode ajudar a sua cidade, de uma coisa tem certeza: o político pode atrapalhar a sua vida. Os problemas, tantos aqueles em nível nacional, como os que acontecem em Campo Grande, vão, em minha opinião, fazer com que o eleitor preste mais atenção e, em vez de se distanciar das urnas, das disputas eleitorais, ele vai se aproximar de uma escolha consciente e, sobretudo, de pessoas preparadas, de ficha limpa, que não estejam envolvidas, por exemplo, na operação Coffee Break. 

JD – O senhor e o seu irmão, Nelsinho Trad, já definiram qual dos dois disputará essas eleições?

Marquinhos – O Nelsinho foi prefeito por oito anos, como o André. Lúdio, também, já foi, como o Juvêncio foi. O Bernal teve a oportunidade dele e seu mandato já está terminando – melancolicamente, diga-se de passagem. É isso. Tudo passa. E agora chegou a nossa vez! Eu estou preocupado em ouvir os problemas da população e buscar encontrar soluções. Tenho certeza absoluta de que não haverá confronto e eu serei o candidato escolhido na convenção pelo meu partido para disputar a prefeitura de Campo Grande.

JD – Uma parte da classe política vê o senhor com uma certa desconfiança, como uma personalidade inconstante. Existe alguma dificuldade com alguns setores e partidos?

Marquinhos – Não sou inconstante. Sou franco. Não enrolo. Quando é sim, falo sim; quando é não; falo não e explico as razões. Minha sinceridade incomoda apenas os que gostam de conversa mole. Sou autêntico. E continuarei a ser porque acho que nenhuma pessoa merece ser enrolada com conversa mole.

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