O projeto incluiu a construção de um canal de 35 km, paralelo à via atual, e a dragagem de um trecho de 37 km, para ampliar a profundidade a a largura do canal.
A intervenção permitirá a navegação em dois sentidos, na maior parte do canal, de barcos de grande porte.
A expansão vem sendo considerada um "renascimento" do país pelo governo egípcio. A expectativa é reanimar a economia egípcia com as receitas provenientes do uso do canal.
Analistas, contudo, vêm questionando as projeções oficiais. Afirmam que o comércio global não está avançando no ritmo esperado pelo Egito.
Há também quem critique os gastos de US$ 8,5 bilhões na obra, e sugira que o dinheiro poderia ter sido gasto em avanços em infraestrutura e serviços públicos.
Durante a inauguração na cidade de Ismalia, o presidente do Egito, Abdel Fattah el-Sisi, apareceu em uniforme militar e óculos escuros a bordo do El-Mahrousa – o iate que foi a primeira embarcação a passar pelo canal quando foi inaugurado, em 1869.
O ex-líder militar, eleito no ano passado como civil, recebeu líderes estrangeiros como o presidente francês Francois Hollande e o primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev.
Houve sobrevoos de jatos militares e helicópteros durante a cerimônia. Nas ruas do Cairo, cartazes descreviam a obra como um "presente ao mundo".
Veículos de comunicação alinhados ao governo saudaram a expansão como um triunfo nacional, e uma virada para o país após anos de instabilidade política.
"É, sobretudo, um projeto patriótico, e isso é muito difícil de quantificar", afirmou à BBC o analista financeiro britânico Angus Blair, baseado no Cairo.
Projeções questionadas
Contudo, especialistas colocaram em dúvida a capacidade da obra em gerar os resultados financeiros esperados.
O economista Ahmed Kamaly, da Universidade Americana no Cairo, afirmou à agência de notícias que as projeções oficiais sobre o canal por ora são apenas um desejo.
"Não houve ou não se sabe de um estudo de viabilidade da obra", afirmou, segundo a agência. Para ele, os benefícios imediatos da expansão deverão ser mais políticos do que econômicos.
O canal de Suez original, inaugurado há quase 150 anos, une os mares Mediterrâneo e Vermelho. Por suas águas passam hoje 7% do comércio mundial baseado em navegação.
A via é ainda uma das principais fontes de recursos para o Egito.
Estima-se que a construção do novo canal tenha custado US$ 8,5 bilhões. As obras – realizadas em regime de 24 horas – ficaram a cargo das Forças Armadas.
A passagem foi inaugurada exatamente um ano depois do começo dos trabalhos, seguindo a meta ambiciosa do presidente egípcio. O projeto original previa três anos de intervenções.






