“Efeitos da recessão” – a crise se alastra

Apenas nos seis primeiros meses desse ano, 1.386 empresas fecharam as portas em Mato Grosso do Sul. O retrato desse impacto da recessão é observado no dia a dia. Na Rua 14 de Julho, principal do comércio de Campo Grande, são 78 lojas fechadas, que substituíram a logomarca na fachada dos estabelecimento por placas de aluga-se ou vende-se. Empresários não suportam o “peso” da crise, resultados de equívocos na política econômica que levaram o País a enfrentar recorde de desemprego. Sem renda suficiente, consumidores foram forçados a reduzir as compras, a inadimplência aumenta de forma assustadora, até mesmo em relação às contas básicas, e as indústrias reduziram as atividades, impactando mais ainda no mercado de trabalho. Reflexos dos estímulos irresponsáveis ao consumo, sem acompanharem os incentivos e ações para garantir aumento de investimentos que fomentassem novas oportunidades para geração de renda e emprego. Há ainda, a consequência de queda na arrecadação dos Governo (menos empresas, menos investimentos = menos impostos).

Soaram de forma irresponsável, nesse momento de dificuldades financeiras, os reajustes significativos a servidores, muitos que já recebiam salários elevados. Os aumentos beneficiaram funcionários do Judiciário, Executivo, Legislativo e Ministério Público com impacto de R$ 58 bilhões até 2019.  Nessa semana, Senado aprovou ainda reajuste para Tribunal de Contas da União, Advocacia-Geral da União, Banco Central, agências reguladoras e militares das Forças Armadas. Também, recentemente, ocorreu aumento da Bolsa Família em 12,5%, com “peso” de R$ 2,5 bilhões mensais na folha. Altas que preocupam, pois para há previsão de deficit fiscal de R$ 139 bilhões para o próximo ano. Além disso, os cofres da União sentirão impacto do acordo formalizado com estados, que inclui seis meses de carência nos pagamentos. Ajuda também necessária para que todos contribuam para recuperação econômica.

Há um longo caminho de mudanças para que o cenário de empresas fechadas possa, enfim, ser revertido e transformado na esperada retomada de investimentos. Isso dependerá muito dos acertos políticos e administrativos. Acabar com clima de instabilidade, causado por falhas e escândalos, ajudará a romper o ciclo de recessão. 

O desafio, nesse momento, é tentar romper esse ciclo devastador da crise.  As estatísticas negativas e resultados ainda tímidos demonstram as dificuldades. As saídas dependerão, neste momento, de bom trabalho de gestão. Por isso, novos equívocos podem comprometer ainda mais a já desgastada credibilidade do Brasil perante investidores estrangeiros e até mesmo dos brasileiros, receosos de iniciar novo negócio em meio a tanta turbulência  na política e economia. Infelizmente, o Governo de Michel Temer atrapalha-se em meio a contradições, que acabam maculando ainda mais a imagem da gestão provisória, que ainda aguarda o desfecho do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Os erros começaram na nomeação da equipe, com ministros envolvidos em escândalos de corrupção que, posteriormente, precisaram deixar os cargos. As medidas de contenção de despesas também ficaram muito aquém do esperado. 

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