“Dinheiro desperdiçado” – Bernal não consegue fazer tapa-buracos

É praticamente impossível para qualquer motorista percorrer as ruas de Campo Grande sem incomodar-se com a quantidade de buracos. Parece inacreditável, mas a situação pode piorar. Quatro das seis empresas contratadas para serviço de tapa-buraco paralisaram as atividades e aguardam renegociação de contratos com a prefeitura. Isso significa que as vias de determinadas regiões da cidade não estão recebendo qualquer reparo. O único alento é que não está chovendo, caso contrário o asfalto estaria ainda mais destruído. Por outro lado, fica a sensação também de equívoco porque a atual gestão não aproveita o período de estiagem para executar os reparos. No ano passado, muito dinheiro acabou sendo jogado fora porque as empresas começaram a atuar justamente na época em que as precipitações são mais intensas. Pelo ritmo atual, há sério risco de tal falha repetir-se. 

Investimentos para tapa-buraco reduziram 85% desde agosto do ano passado, quando o prefeito Alcides Bernal retornou ao cargo. Em 2013, a média mensal de gastos chegava a R$ 5,8 milhões, mas caiu para R$ 907 mil desde o ano passado. O reflexo dessa diminuição está explícito nas ruas da cidade, tomadas de crateras. Muitos dos reparos feitos não duraram semanas, já precisariam ser refeitos, mas agora não há qualquer perspectiva. Muitos moradores optaram em fazer por conta o tapa-buraco, usando cimento ou restos de construção para, ao menos, minizar os danos resultantes da lentidão dos trabalhos que deveriam ser feitos pelo poder público. 

Já está em andamento licitação para contratar novas empresas para serviço de tapa-buraco, prevendo algumas alterações no modelo para executar as obras, com objetivo de evitar tantas falhas. A entrega das propostas da licitação para contratar foi adiada e deve ocorrer na próxima semana. Entretanto, ainda podemos contar com mais algumas semanas de espera até a homologação do resultado final, isso se não surgirem obstáculos e recursos das concorrentes que possam travar o procedimento. Enquanto isso, continuaremos contando apenas com os reparos paliativos, feitos pelas duas empresas que ainda mantiveram contratos com a administração municipal. 

Neste cenário, há ainda o agravante do recapeamento de ruas que ficaram apenas na promessa. Projetos foram aprovados ainda em 2012, mas os recursosfederais previstos ficaram pelo caminho, principalmente por falta de contrapartida. Depois, surgiu a meta de firmar parceria com Exército para asfaltar algumas vias com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Sem avanços, até agora. Para piorar, a prefeitura desdenha de recursos do Governo do Estado e enrola meses para apenas informar qual via poderia ser recuperada pela administração estadual. Esse desinteresse impacta diretamente no cotidiano dos moradores, que precisam enfrentar o cenário de descaso nas ruas da Capital. 

Incompreensível e absurdo que oportunidades de investimentos sejam de desperdiçadas, em meio ao cenário de crise econômica em que tantas pessoas estão precisando dos empregos gerados com novas obras. Diante do caos das ruas, também fica complicado entender o desprezo a recursos que poderiam beneficiar a população. 
 

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