Enquanto o impasse sobre quem administrará a prefeitura de Campo Grande não é definido pela Justiça de Mato Grosso do Sul, três permanecem no páreo, caso o resultado do julgamento mude o jogo político da capital de Mato Grosso do Sul. Podem finalizar o ano no comando do Poder Executivo o atual prefeito Alcides Bernal, do PP, o prefeito afastado Gilmar Olarte, ou o presidente da Câmara Municipal, vereador João Rocha, do PSDB, terceiro na linha sucessória.
O fato é que a desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul , pode julgar procedente ou improcedente um recurso impetrado pelo Poder Legislativo. Se ela aceitar os argumentos do pedido, anula a decisão, que tramita na 1ª Câmara Civil, responsável por reconduzir Alcides Bernal ao cargo de prefeito de Campo Grande, em agosto de 2015.
Dependendo do resultado, abriria a possibilidade para Olarte retornar à administração municipal. No entanto, ele precisa anular também outra decisão. Durante a deflagração da Operação Coffee Break, o desembargador Luiz Cláudio Bonassini havia determinado o afastamento do então prefeito e do ex-presidente da Câmara Municipal, Mario Cesar, do PMDB. Neste caso, o peemedebista abriu mão da presidência e conseguiu retomar as atividades parlamentares. Já Olarte, que ainda chegou a ser preso por tentar obstruir as investigações feita pelo Gaeco, continua com o título de afastado.
Além disso, em outra investigação, Olarte é réu no TJ-MS, referente a Operação Adna, conhecida como 'Cheque em Branco'. Neste caso, se o prefeito afastado retornar a administração municipal pode enfrentar um impeachment, semelhante a que ocorreu a Bernal na Câmara Municipal. Apesar da Comissão Processante ter arquivado o processo contra o pastor, um dos requisitos é: se Olarte voltar, o processo poderá ser reaberto. Pela Lei Orgânica do Município, um administrador não pode ser réu em processo.
Neste caso, quem segue na linha sucessória é o presidente da Casa de Leis, João Rocha, eleito após a renúncia da Mario Cesar. Em eventual afastamento de Bernal e sem possibilidade de reversão no caso de Olarte, o tucano poderia comandar a cidade até o final da gestão, após ritos seguidos pela Lei.
Embora afirme que está focado em 'cuidar da Câmara Municipal', o vereador entende que 'há possibilidade de administrar a prefeitura', mas esclarece que não depende de ações dele para assumir a administração, e sim da Justiça que pode mudar as peças do jogo.
"O tema é delicado e qualquer coisa que eu diga pode ser distorcido. Sou extremamente cuidadoso sobre qualquer coisa ligado a este assunto, meu foco é a Câmara Municipal antes que falem que estamos fazendo golpe. A decisão é da Justiça. Mas é evidente que ao ser presidente, tenho algumas responsabilidades legais, entre elas de assumir a Prefeitura de Campo Grande em caso de vacância. Mas antes de chegar ao presidente da Câmara há duas figuras que estão postas aí e tudo isso ficou para a Justiça decidir. Então, vou cuidar da Câmara de Vereadores, mas se for chamado a responsabilidade eu tenho que fazer o melhor. Estou maduro para isso", contou o presidente.
Pelo bastidores, tem ganhado força que a decisão de desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges pode sair em breve, há quem aposte que seja no período de fevereiro a março de 2016. Ela ficou conhecida após decisões polêmicas durante a chamada 'guerra de liminares' durante o processo de cassação. Em outras ocasiões, ela já mudou de voto considerando novos elementos anexados ao processo e sua decisão contribuiu para o retorno de Bernal à prefeitura em 2015.
A data coincidiu com a Operação Coffee Break, que horas antes, por meio do desembargador Luiz Cláudio Bonassini, havia decretado o afastamento de Gilmar Olarte e de Mario Cesar. A Câmara contestou a decisão e afirmou que a magistrada teria sido parcial e influenciada pela ação policial que ocorreu no dia. O afastamento foi evitar que ambos atrapalhassem as investigações feita pelo Gaeco.




