CPI da Câmara já analisa quatro denúncias sobre sumiço de vacinas

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura o desaparecimento de milhares de doses de vacina contra a gripe na rede pública de saúde em Campo Grande realizou hoje a primeira reunião para apresentar o cronograma dos trabalhos. Os vereadores investigam, a partir de quatro denúncias de servidores municipais, o que foi feito com os lotes de vacina e expediram ofícios à órgãos competentes para obter detalhes sobre a distribuição e controle das doses.
 
O colegiado é composto pelos vereadores Marcos Alex (PT) como presidente, Livio Viana (PSDB) como relator, Vanderlei Cabeludo (PMDB), Chiquinho Telles(PSD) e Edson Shimabukuro (PTB), que não esteve na Câmara nesta quarta-feira (15) por estar viajando. Conforme os parlamentares, as denúncias foram encaminhadas através de um canal no site da Câmara e, uma delas teria um teor mais ‘sério’, apontando a coação de uma servidora que alega ter sido obrigada a vacinar um grupo privilegiado de pessoas no gabinete do prefeito Alcides Bernal (PP) e que relata a comercialização das doses.
 
“Existe essa denúncia em especial, vinda de uma enfermeira que preferimos preservar a identidade, que relata coisas pesadas sobre essa questão. Temos dificuldade em obter informações concretas, há uma dificuldade em convencer os funcionários a falar o que se passa, mas há indícios fortes de que ao menos houve essa situação de constrangimento”, disse Viana. A fala da servidora vai ser encaminhada para o delegado Fabiano Nagata, da 1ª Delegacia de Polícia da Capital, que já ouviu duas funcionárias da Prefeitura nessa semana.

A primeira medida, segundo Viana, é quantificar quantas vacinas teriam ‘sumido’, pois os relatos citam duas quantias diferentes, de 3 mil e 32 mil doses, das 195 mil encaminhadas pelo Ministério da Saúde. “Essa discrepância é inaceitável, só a partir dessa definição poderemos ter subsídios mais contundentes”, disse.
 
Ofícios
 
Um dos ofícios será encaminhado para o Instituto Butantan, responsável pelo desenvolvimento da vacina e o envasamento das doses, direcionado ao diretor presidente da instituição, Dr. Jorge Kalil. Entre os dias 20 e 24 de junho, um representante deve prestar esclarecimentos em Campo Grande ou através de uma videoconferência.
 
O secretário estadual de saúde, Nelson Tavares, também será oficiado para que a pasta encaminhe documentos que detalhem a meta estadual da campanha de vacinação, o número de doses recebidas para distribuição entre Capital e os municípios do interior, além das metas separadas de cada grupo de risco.
 
Ao secretário municipal de saúde, Ivandro Fonseca, foram solicitados os comprovantes de recebimento das doses através da SES (Secretaria Estadual de Saúde) e quantas foram administradas por funcionários da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde).  Além disso, os vereadores pedem relatórios de vacinação abrangendo o 1º semestre de 2016 e cópias de protocolos de distribuição para as unidades distritais de saúde, responsáveis por separar e encaminhar os lotes para cada unidade de saúde do município. A Sesau tem um prazo de 15 dias para encaminhar todos os documentos à Câmara.
 
As reuniões de trabalho serão realizadas às segunda e quartas, a partir das 15h, no Plenário Edroim Revertido, na sede da Casa de Leis, e serão abertas ao público. A Câmara já cedeu um auxiliar técnico de seu quadro para acompanhar os trabalhos da CPI e conta com o auxílio da polícia para apurar as denúncias.
 
‘Cortina de Fumaça’

Os vereadores apontam que outro alvo de investigação será a invasão da Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) do bairro Serradinho, que aconteceu no domingo (12). O local teria sido invadido por garotos, que danificaram itens de informática, móveis e também teriam quebrado vidros que continham doses da vacina contra a gripe.
 
A invasão, que chegou a ser apontada por Bernal como ‘uma armadilha política para prejudicar sua administração’, vai ser checada pelos parlamentares a fim de, segundo os próprios, ‘evitar a cortina de fumaça corriqueira’. “Temos que checar a questão da segurança dessas e de outras unidades de saúde, porque isso nunca aconteceu em Campo Grande. O prefeito tem que parar com essa posição de vítima de teoria da conspiração. Temos que parar de fantasiar e sermos objetivos, afinal, até que ponto essa invasão poderia até mesmo ter intenção de atrapalhar a CPI?”, questionou Marcos Alex. 

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