Com mais de uma prisão por dia, ainda há mulheres que temem fazer denúncias

São visíveis os avanços no combate à violência contra a mulher no país, principalmente, em Mato Grosso do Sul. Mas ainda é necessário alertar a sociedade sobre a importância de se denunciar os crimes, para ser possível acabar com a situação. Sem mencionar que muitas mulheres 'voltam atrás' e dificultam a continuidade dos trâmites legais, colocando a própria vida em risco.
 
Os avanços são visíveis, tanto é que a criação da delegacia voltada às mulheres veio após reclamações das próprias vítimas sobre o atendimento prestado em unidades de polícia comuns, onde geralmente eram ouvidas só por homens. É notável o crescimentos do índice dos boletins de ocorrência, foram registrados 5404 em 2013, e 5907, em 2014. “É um sinal positivo, que está aumentando as denúncias”, destacou a delegada titular da Deam, Roseli Molina.
 
De acordo com o levantamento da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), no balanço de 2015, foram registrados 7255 boletins de ocorrência, sendo que desses, 711 casos foram retirados pela própria vítima, ou seja, representa um montante de 10%.
 
“É um número ainda pequeno, mas é importante salientar porque há determinados casos em que não podemos dar continuidade aos trabalhos. Como no crime de ameaça, que depende da representação da vítima. As estatísticas demonstram que a reincidência do autor tende a ser sempre mais grave e, assim, podemos evitar tragédias”, destacou a delegada.
 
Neste ano, mais de 6.900 pessoas foram atendidas na Deam, buscando alguma informação, registrando ocorrências e demais serviços. Também foram registrados até o dia 24 de abril, 2804 boletins de ocorrência, ou seja, em apenas 4 meses. Além disso, foram encaminhados 1109 processos para o Poder Judiciário e houve o montante de 208 prisões, praticamente mais de um indivíduo detido por dia.
 
A lei alterou o código penal para incluir mais uma modalidade de homicídio qualificado, o feminicídio. Dos dois feminicídios registrados na delegacia, neste ano, ambos foram resolvidos e os autores estão presos. “Buscamos dar uma resposta rápida à sociedade e às famílias, para mostrar aos agressores que esse tipo de crime não compensa”, concluiu a delegada.

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