Candidatura de André esbarra na “Lama Asfáltica e Coffee Break”

Faltando um mês para as convenções partidárias, o PMDB pode anunciar nesta quinta-feira, 30 de junho, o ex-governador André Puccinelli como candidato a prefeito de Campo Grande. Entretanto, as denúncias envolvendo o nome de Puccinelli, citado nas operações Lama Asfáltica e  Coffee Break, podem ser um impeditivo na candidatura do ex-governador, apontado como 'salvador' da sigla neste ano.
 
A Polícia Federal, por exemplo, afirmou que possui elementos que demonstram que o ex-governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, recebeu propina do empresário João Amorim, através da Gráfica Alvorada. A afirmação está no pedido de prisão provisória e nos mandados de busca e apreensão feitos à 5º Vara da Justiça Federal, como parte da Operação fazendas de Lama, segunda fase da Operação Lama Asfáltica, deflagrada em 10 de maio. Toda informação também consta no relatório da segunda fase da operação que sacudiu a política regional.
 
No documento, a PF cita que Puccinelli é muito cauteloso ao telefone e evita contato direto com João Amorim, mas que foram encontrados elementos que demonstram o envolvimento dos dois. “Embora, tenham sido obtidos elementos que, a nosso ver demonstram que recebeu propina da Gráfica Alvorada em situação envolvendo a organização criminosa de João Amorim. Puccinelli várias vezes viajou no avião a jato de João Amorim, ao que tudo indica configurando verdadeiras vantagens indevidas obtidas em troca dos desvios de recursos públicos para a Proteco”, afirma.
 
Durante a reunião da Executiva Regional, o presidente da Assembleia Legislativa, Junior Mochi (PMDB) afirmou que André seria o nome que poderia aglutinar diversos partidos para enfrentar as eleições de 2016. "A eventual candidatura do André recolocaria o partido, o deixando competitivo. Ele nos disse que não teria como decidir agora, teria que falar com outras pessoas e com a família para poder assumir esse compromisso. Ele tem até o dia 30, às 19 horas, para definir se vai ou não para disputa".
 
Ao ser questionado sobre as investigações como a Lama Asfáltica, e a Coffee Break, Puccinelli afirmou que a sua decisão depende apenas de um aval exclusivo da família. "Tenho a minha família, sou vovorista e, no caso, teria que dispensar a função em que ganho dois salários mínimos", brincou.
 
Puccinelli também foi indiciado, junto com mais 23 pessoas, pelo Ministério Público Estadual por relação com a Operação Coffee Break. Ele foi denunciado por associação criminosa para cassar o prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP). De acordo com a investigação, desde setembro de 2013, um grupo de políticos e empresários, livre e conscientemente, cada qual a seu modo, associaram-se para o fim específico de cometer crimes, notadamente delitos de corrupção ativa.
 
Segundo o MPE, Puccinelli teria orientado alguns vereadores a votarem no vereador Mário Cesar para presidente da Câmara, que viria posteriormente instaurar processo de cassação contra Bernal. O ex-governador também teria supostamente prometido proteger vereadores que votassem pela cassação de Alcides Bernal, em reunião na véspera da votação do impeachment.
 
E mais 
Na delação premiada de Delcídio do Amaral, o ex-senador cita um suposto esquema de desvio de recursos de obras federais entre o ex-ministro do transportes, o ex-governador André Puccinelli e o ex-deputado federal Edon Giroto. De acordo como documento homologado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), “Delcidio do Amaral tem conhecimento de que através de um 'jogo combinado' entre o então Ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, o ex-governador André Puccinelli, e seu secretário Edson Giroto, foi realizado um "acordo" ilícito a fim de promover uma descentralização de todos os investimentos federais no estado, de forma a facilitar a arrecadação de propinas”.
 
O senador explicou que essa propina arrecadada era repassada ao PR e ao PMDB, através do ex-ministro e que “essa operação ilícita serviu para irrigar de forma espúria as campanhas eleitorais do PR e do PMDB no Mato Grosso do Sul e do PR Nacional”.
 
Delcídio afirmou que tomou conhecimento do esquema pelo próprio Edson Giroto, que também disse que o esquema só foi descoberto em alguns pontos. “Entretanto, já foi grande o suficiente para que Ministério Público e a Policia Federal implementassem a Operação Lama Asfáltica". Também enfatizou que a investigação está enfrentando dificuldades em avançar.

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