Campo Grande tem 320 médicos a menos para atendimento em época de epidemia

A população em Campo Grande vai precisar enfrentar a epidemia de dengue com falta de médicos na rede pública de saúde. 

O secretário municipal da pasta, Ivandro Fonseca, confirmou que o quadro da Sesau está com 320 profissionais a menos do que em agosto e não há uma data para realização de contratação, mesmo temporária. Quatro meses atrás, o total no quadro funcional era de 1,6 mil servidores e hoje está em 1.280.

Segundo critérios do Ministério da Saúde, a Capital está com alta incidência de dengue, ou seja, com mais de 300 casos por 100 mil habitantes (atualmente o número de Campo Grande é de 960 para grupo de 100 mil). No último dado divulgado pelo governo municipal, de 5 de dezembro, foram 7.991 notificações e três pessoas morreram, o maior número de óbitos do Estado.

Esses médicos que saíram da secretaria eram contratados e passaram a pedir exoneração dos cargos desde quando houve a greve da categoria, em agosto deste ano.

Foram 14 dias de paralisação porque a prefeitura informou que não concederia reajuste salarial neste ano e que não tinha previsão para apresentar plano de carreira.

O então prefeito, Gilmar Olarte (PP), não conseguiu negociar com o Sindicato dos Médicos para se chegar a um acordo e o caso foi, inclusive, judicializado. Olarte foi afastado do cargo no mesmo mês e Alcides Bernal (PP) assumiu. 

Com isso, a categoria acabou dando uma trégua e no final de agosto os médicos voltaram a trabalhar. Mas a saída de profissionais continuou e a equipe de Bernal não conseguiu evitar a evasão.

A recontratação também não foi um processo solucionado pela atual administração. "Temos um deficit significativo. Esses 320 médicos representam 20% do total e eles começaram a sair por conta de problemas do antigo governo", justificou Ivandro Fonseca.

PAGAR A MAIS

Sem conseguir contratar, a prefeitura de Campo Grande decidiu que vai pagar a mais para os médicos que aceitarem fazer plantão aos sábados, domingos e feriados nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Centros Regionais de Saúde (CRSs).

Em decreto do prefeito, de número 12.773, de 16 de dezembro de 2015, foi determinado que o período de maior incidência de casos de dengue e outras endemias compreenderá esse abono. O prazo estipulado foi de 24 de outubro a 29 de fevereiro de 2016.

Hoje, um médico recebe em torno de R$ 700 por plantão de 12 horas. A reportagem tentou confirmar como será feito o cálculo para aumentar o pagamento dos profissionais, mas a Sesau não retornou com informações até a publicação desta matéria.

"A estratégia que estamos implantando é de guerra. Estamos trabalhando para tentar minimizar essa falta de médicos", reconheceu Ivandro Fonseca, secretário de saúde, sem precisar o quanto vai pagar a mais.

Segundo ele, o que era pago aos 320 clínicos gerais que pediram exoneração serão distribuído para quem permanecer no cargo.

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