Camapuã: Gaeco diz que chuva foi criada para justificar desvio de dinheiro

Após deflagrar a operação Tempestade, na manhã desta quinta-feira (16), em Camapuã, a 126 km de Campo Grande, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) ouviu três servidores da prefeitura do município. Todos eles negaram qualquer dano causado a documentos por conta da chuva.

Segundo o coordenador do Gaeco, promotor Marcos Alex Vera, um dos servidores trabalha no setor de licitação e os outros dois na área de finanças e contabilidade. “Eles nunca ouviram falar de empresas participantes destas licitações e também chuva na cidade que possa ter destruído estes documentos”, afirmou o promotor.

Após oito meses de investigações, o desvio para pagamentos de supostas empresas de material de construção é de cerca de R$ 600 mil. O Gaeco apreendeu apenas notas e cópias de cheques emitidos para estes locais.

“Até o momento verificamos que não houve nenhum processo licitatório e edital realizado pela prefeitura. E assim que a Promotoria do Patrimônio Público solicitou cópias destes documentos eles não forneceram nada e ainda disseram que tudo havia sido destruído pela chuva”, explicou o coordenador.

Conforme o promotor Marcos Alex, a suspeita é que a prefeitura ‘tenha inventado’ esta desculpa da chuva e ainda realizado um boletim de ocorrência de dano, após a solicitação da promotoria do município.

“Ainda não podemos dizer se tem funcionário envolvido, porém já identificamos os proprietários das contas bancárias que receberam este dinheiro e agora vamos dar continuidade às investigações”, finalizou o promotor.

Entenda o caso

Após a suspeita de desvio das verbas públicas, o Gaeco deu início ao cumprimento dos mandados de busca e apreensão, por volta das 7h (horário de MS). O chefe de gabinete da administração municipal, Gabriel Nogueira Furtado Júnior, disse que os agentes do Ministério Público Estadual (MPE) apresentaram o mandado judicial e olham documentos de contabilidade, compras e licitações.

A prefeitura informa ainda que não vai se pronunciar sobre a operação porque as denúncias ainda estão em fase de investigação. Segundo informações do MPE, a 'Operação Tempestade' é realizada devido a suspeita de desvio de verbas públicas em licitações de compras de materiais de construção. Ainda não há valores.

A ação tem o nome de Tempestade porque, segundo o MPE, quando documentos foram requisitados, a prefeitura demorou para entregar. Então, o órgão ministerial cobrou e a administração informou que os papéis tinham sido molhados pela chuva e sumiram enquanto secavam.

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