Segundo Valéria Almeida, secretária da Associação Corumbaense e Ladarense de Apoio aos Animais (ACLAA), a razão para existir muitos cães e gatos abandonados em Corumbá, Ladário e também nas cidades bolivianas que fazem fronteira com o município, é que as pessoas adotam os animais, mas decidem abandonar por qualquer motivo. “Largam o animal porque está doente, porque deu cria, porque é fêmea. Tudo vira desculpa para abandonar. A pessoa se compromete a cuidar, portanto ela deve cumprir. O animal é indefeso, como uma criança, e depende da gente, mas as pessoas preferem deixar de cuidar de um pet para não gastar dinheiro”, lamentou.
Apesar de o Brasil ser o 4º maior no mundo em população de animais de estimação, com 52,2 milhões de cães e 22,1 milhões de gatos, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Animais de Estimação (Abinpet), para Valéria, não importa a condição financeira da pessoa, até mesmo os mais ricos abandonam animais de raça que são mais valorizados que os vira-latas, que na cidade são largados na rua ou mandados para o Centro Controle de Zoonoses (CCZ), sem muitos cuidados prévios. “Em algum momento, eles viram motivo para serem largados, como não recebem um cuidado correto acabam indo para o CCZ”, disse.
A ACLAA, antes conhecida como Grupo de Apoio a Animais Abandonados (GAAA), ajuda cães e gatos abandonados em Corumbá há mais de um ano promovendo eventos para arrecadar fundos, poder tratar os animais e dar um lar responsável a eles. No entanto, de acordo com Valéria Almeida, as pessoas precisam ter mais consciência. “O animal não é só mais um, é uma vida que todos devem se preocupar. Eu quero uma cidade limpa e com saúde pública boa também. Acho bonito ver cidade que não tem animal abandonado, assim como, uma que não tem pessoas vivendo na rua”, ressaltou ao Diário Corumbaense.
Impunidade
“É importante que as leis contra os maus tratos e abandonos de animais sejam cumpridas para que as pessoas sejam punidas de alguma forma”, disse a secretária da ACLAA. Pela alta demanda de casos que recebe no grupo, Valéria contou que já tentou ir à polícia denunciar casos. “Já falei com a Polícia, mas eles pedem provas, dizem que a lei é branda, e por causa de outros crimes, eles não podem atender”, explicou.
“O sentimento de impunidade é grande, as pessoas veem os animais nas ruas, mas não desviam e atropelam. Às vezes, estimulam os próprios animais a brigarem, e até mesmo aos filhos a bater nos animais. É preciso dar informação às crianças e ensinar a não maltratar os animais. Se ensinar que tá certo bater e matar animais, que cidadão vai ser essa pessoa no futuro?”, indagou.
Ainda de acordo com Valéria Almeida, em Dourados, no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Prefeitura daquela cidade, há um sistema de chipagem para identificação de cães e gatos que ficam em vias públicas, que poderia ser implantado em Corumbá. “Os animais são todos chipados, dessa forma dá para saber quantos animais têm e fazer uma fiscalização”, contou. Além disso, a castração deve ser feita para controlar a cria dos pets, mas não adianta ter o serviço se as pessoas não levam para castrar, o que ocorre também com vacinas. “Às vezes, as pessoas nem sabem que tem que vacinar, já que estamos no período da cinomose. Além disso, muitos animais são semiabandonados, ou seja têm família, mas não recebem comida, banho, vacina corretamente, ficando doente e sendo sacrificado”, disse.




