A polêmica administração de Alcides Bernal (PP) é terreno pantanoso para quem deseja fazer análise política séria e sem paixões. É um verdadeiro vespeiro, digamos assim.
Com ascensão meteórica na política, o radialista sagrou-se prefeito com chapa pura, sem recursos e numa campanha contra as máquinas da prefeitura da Capital e do Governo do Estado, ambas controladas pelo PMDB.
Sagrado vencedor com 270 mil votos, ele apeou os peemedebistas da prefeitura após 20 anos. Iniciou a administração prometendo devassa nas contas municipais e com a promessa de rever as polêmicas licitações de Nelsinho Trad, hoje no PTB, como os contratos do lixo (R$ 1,8 bilhão), do ônibus (mais de R$ 3 bilhões) e de água e esgoto (renovou com a Águas por mais 30 anos o contrato que venceria em 2030).
Bernal não reviu os contratos e acabou sendo cassado um ano e dois meses depois. Em reviravolta inédita, retornou ao cargo um ano e cinco meses após e ainda viu o algoz, então vice-prefeito e sucessor, Gilmar Olarte, parar atrás das grades e se tornar alvo de escândalo nacional.
Aliás, ainda assiste os inimigos políticos de outrora enrolados com denúncias de corrupção, de tramar um golpe para lhe tirar da prefeitura e serem enrolados em ofensivas da Polícia Federal, MPE e MPF.
Apesar de todos os contratempos, Bernal ainda se mantém popular e figura em segundo lugar em pesquisas de opinião sobre a sucessão municipal deste ano.
Os números surpreendem porque o prefeito faz gestão medíocre. Não há nenhum secretário “notável”. A situação é tão ruim que há pastas vagas há dois meses sem titular, como é o caso das secretarias de Juventude e Desenvolvimento Econômico. Sem falar nos casos de acúmulos dos cargos.
Nem a parte política se salva. Bernal não tem líder na Câmara Municipal e conta com o apoio leal de apenas dois vereadores, Luiza Ribeiro (PPS) e Cazuza (PP).
O progressista também não faz gestão exemplar na área de probidade administrativa e de bom exemplo no trato com o dinheiro público. Condenados pela Justiça por corrupção e compra de votos foram mantidos no primeiro escalão sem dar a menor bola para o clamor popular pela ética e moralidade pública.
Logo no início do mandato envolveu-se em polêmica compra de apartamento na área do Shopping Campo Grande, que custaria mais de R$ 2 milhões, apesar do patrimônio todo declarado à Justiça Eleitoral ter sido de R$ 1,3 milhão em 2012.
A compra acabou sendo parcelada, conforme declaração feita à Justiça em 2014.
Por outro lado, os adversários de Bernal não lhe deram trégua desde que foi eleito em 2012. Reduziram o índice de manobra do orçamento de 25% para 5%, congelaram o valor do IPTU e o obrigaram a reduzir a tarifa do transporte coletivo.
Bernal faz administração solitária, contra tudo e contra todos.
No meio da guerra, a população sofre diariamente os efeitos do caos administrativo. Há quatro anos, a cidade não ganha nenhuma obra de infraestrutura importante. Estão parados ou perdidos os projetos de revitalização da Avenida Ernesto Geisel (que chegou a ter R$ 43 milhões liberados pelo Governo federal em 2012), a pavimentação de 60 bairros (recursos aprovados em 2013 pela União), o PAC do Bálsamo (obra iniciada em 2012 e quase concluída), a pista de atletismo no Parque Ayrton Sena, entre outros.
Outro problema que irrita diariamente o campo-grandense são os buracos intermináveis nas ruas e avenidas. Diariamente, motoristas acabam sendo surpreendidos com gastos urgentes com restauração de pneus e rodas.
Como o atual prefeito ficou fora do cargo por exatos 17 meses, fica complicado lhe culpar sozinho pelo caos da cidade.
Bernal deu oportunidade histórica a um novo grupo político assumir o comando de Campo Grande, que poderia resultar em uma nova visão administrativa, novos modelos de desenvolvimento e novos caminhos. Mas a atual gestão é marcada pela falta de inovação, de visão administrativa e de criatividade.
No entanto, ainda não sei se ele perdeu esta oportunidade histórica ou lhe derrubaram deste trem.
Fonte: http://www.topmidianews.com.br/tema-livre/noticia/bernal-foi-empurrado-ou-perdeu-o-bonde-da-historia





