Bernal abandonou a favela “Cidade do Anjos”, diz moradores

Na maioria dos frágeis barracos da favela Cidade dos Anjos, no Jardim das Hortências, em Campo Grande, o chefe da família é uma mulher. Com crianças pequenas para cuidar, elas vivem dramas relacionados à violência e a falta de assistência social e em saúde. O local é o mesmo onde, na semana passada, uma jovem foi morta a facadas pelo ex-marido na frente dos três filhos. Após protestos das mulheres, o homem que chegou a rondar a favela depois do crime acabou preso. O sentimento de insegurança faz parte da rotina das mães da favela.  “Já houve três tentativas de estupro aqui. Os barracos não oferecem qualquer segurança. Qualquer um pode rasgar a lona e entrar.

Além de morarmos em situação precária, ainda temos que conviver com o medo da violência”, relata a moradora Cristiane da Silva Martins, de 32 anos,  mãe de três filhos. “Aqui, 90% dos moradores são mães solteiras”, acrescenta. A favela está localizada em um terreno que, segundo os ocupantes, é público. Os barracos começaram a ser montados há cerca de três anos por pessoas vindas de várias regiões da Capital. A maioria destas mulheres afirma ter feito cadastro em programas habitacionais. Porém, cansadas de esperar e sem condições de pagar aluguel, decidiram armar barracos na favela. “Estou há cinco anos cadastrada na Agência de Habitação e nunca fui chamada. Hoje, não tenho  para onde ir com minhas meninas”, explica Adrielli da Silva Matos, de 23 anos.

A mulher diz que por não ter um endereço enfrenta dificuldades quando precisa marcar consultas médicas nas unidades de saúde públicas para as crianças. “A gente não consegue tirar o cartão do SUS (…) Gostaria que assistência social do município fizesse algo por nós, principalmente, pelas crianças que precisam de atendimento nos postos”, apela. A falta de assistência em saúde é reclamação recorrente entre os moradores da favela. Nestes três anos, quatro pessoas morreram doentes com pneumonia e leishmaniose na Cidade dos Anjos. "Agentes de saúde não entram aqui", reclama uma das moradoras.

Ao todo, são 42 barracos no terreno que já foi visitado por autoridades da Capital. “Já ouvimos muitas promessas de que a área seria dividida entre nós definitivamente. Porém, nada disso aconteceu”, afirma Cristiane.  “Gostaríamos de receber o mesmo tratamento dado ao pessoal da Cidade de Deus que foi beneficiado com o mutirão para a construção das casas. Poderíamos construir aqui mesmo”, propõe.

A favela Cidade de Deus que ficava na região do Dom Antônio Barbosa foi removida pela prefeitura para quatro loteamentos em áreas públicas. Após remoção, o município deu início ao programa Mutirão Assistido no qual ajuda os moradores a construírem casas de alvenaria fornecendo todo material de construção. Os beneficiários pagarão pelo terreno e edificação das moradias em longo parcelamento.

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