Base política de Delcídio se desintegra depois de prisão

O senador Delcídio do Amaral (PT), considerado o político mais promissor de sua geração em Mato Grosso do Sul, viu acabar a base eleitoral após ser preso. De acordo com a Folha de São Paulo, logo depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter decretado a prisão, o escritório político do senador em Campo Grande foi fechado. 

Ainda de acordo com a Folha, o irmão, Ramão do Amaral, levou a mulher e as duas filhas de Delcídio para o apartamento em Florianópolis. A ideia era proteger a família do assédio que vinham sofrendo na Capital de Mato Grosso do Sul.

Delcídio alegou que a promessa de pagar para que Cerveró não o delatasse e ao banqueiro André Esteves era uma mentira. Cerveró e Delcídio trabalharam juntos entre 1999 e 2001, quando este último foi diretor de gás da Petrobras e o primeiro, seu principal subordinado.

De acordo com a Folha, em Brasília, uma delação de Delcídio passou a ser vista como cada vez mais plausível diante da falta de perspectiva de ele deixar a prisão e do tom inusitadamente duro usado pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão. Delcídio já foi citado por três delatores como destinatário de propina da Petrobras. Cerveró diz que acertou pagamento de US$ 2 milhões de propina de contratos de navios-sonda para a campanha do petista em 2006.

Não teria sido o primeiro suborno: o delator também implica Delcídio em um pagamento de US$ 19 milhões da Alstom durante o governo FHC. Ele nega as acusações.

Ferida aberta 
Em Campo Grande, a prisão fez aflorarem antigos ressentimentos com o senador dentro do PT, partido ao qual se filiou em 2001.

A eleição de 2014 deixou feridas ainda abertas. Favorito para o governo, Delcídio costurou, por mais de um ano, uma aliança branca com o tucano Reinaldo Azambuja.

A equação visava que Delcídio saísse para o governo e o PT não lançasse candidato forte ao Senado para favorecer a eleição do tucano.

O arranjo micou porque a direção nacional do PT vetou a manobra que poderia dar ao PSDB um pouco mais de musculatura no Senado.

Delcídio, que começou como favorito segundo as primeiras pesquisas eleitorais, foi definhando na campanha e, no segundo turno, foi derrotado justamente por Reinaldo Azambuja, que acabou disputando o governo na condição de azarão.

Ex-padrinho político e principal adversário interno, o ex-governador Zeca do PT bombardeou o acordo com o tucano, mas não conseguiu ser candidato ao Senado. Elegeu-se deputado. 
Próximo de Lula, Zeca hoje é uma das principais vozes do PT a propalar que Delcídio "nunca foi de esquerda".

Foi justamente o então governador de MS o avalista da migração de Delcídio do PSDB ao PT. 
Num dos comícios da campanha de 2002, com a presença de Lula, Zeca chegou a pedir aos eleitores que não o reelegessem para o governo se não votassem também em Delcídio para o Senado.

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