Ainda em barracos, transferidos cobram promessas de Bernal

Cerca de 80 pessoas protestam desde a manhã desta quinta-feira (18) no bairro Bom Retiro, em Campo Grande, exigindo respostas da Prefeitura Municipal. Mais de cinco meses depois da transferência de 135 famílias da comunidade Cidade de Deus para lotes no local, barracos se reerguerem assim como no antigo endereço, à espera do cumprimento da promessa feita por Alcides Bernal (PP) de entregar moradia popular.

Para chamar atenção, o grupo bloqueou a entrada da nova comunidade com a queima de pneus e outros entulhos. Conforme um dos manifestantes, o jardineiro Rogério Carvalho, 29 anos, a situação piora a cada dia, pois sob chuva e sol, os barracos têm ficado destruídos.

Segundo ele, os temporais registrados nos últimos meses fizeram com que as estruturas fossem derrubadas e até crianças ficaram sem teto. “Até o momento a Seintrha (Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação) veio aqui só pra cavar umas valas. As crianças estão caindo nessas valas, se machucando. A tal da ONG que criaram pra ajudar na construção nunca apareceu”, disse.

Morador da Cidade de Deus desde 2012, junto com filhos e esposa, Rogério afirma que o grupo está se organizando aos poucos, mas não vai deixar de cobrar a prefeitura. “Se ninguém vier falar com a gente hoje, vamos estender o protesto para outras regiões da cidade, já que aqui ninguém nos ‘enxerga’. Amanhã, às sete horas da manhã, vamos estar em frente ao Paço para falar com o prefeito”.

Promessa

O prazo para a construção das moradias no Bom Retiro corre até dez de outubro, mas até agora nada foi feito. A prefeitura de Campo Grande firmou um convênio de R$ 3,6 milhões com a Morhar Organização Social para a construção de 300 unidades residenciais para os ex-moradores da favela Cidade de Deus, remanejados para outros loteamentos no município.

Os recursos serão retirados do Funaf (Fundo de Urbanização das Áreas Faveladas), conforme extrato publicado no Diário Oficial em junho, direcionados, além do Bom Retiro, para os bairros Lageado e Jardim Canguru. No Vespasiano Martins, casas de alvenaria foram entregues em julho, mas já apresentam problemas.

Desde que foram removidos da Cidade de Deus, os moradores da antiga favela vem passando por uma série de dificuldades, que vai desde a destruição de barracos pelas fortes chuvas do mês de maio até as cobranças astronômicas de energia elétrica em locais que possuem no máximo uma lâmpada e uma geladeira.

Solteiros e até casais que não possuem filhos também vivem com a preocupação da possibilidade de ficar de fora do loteamento do município nos novos bairros. Eles relatam que a prefeitura fez todo o cadastramento necessário, mas os funcionários informam que as pessoas destes dois grupos devem ser excluídas do benefício.

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