Marcus Peretto: uma voz instigante para a cidade cantar poesias reflexivas

Campo Grande

29/07/2020 08h08

A arte não se detém, insiste na criação de novas possibilidades.

Campo Grande faz questão de demonstrar esta verdade quando se revela, inteira, na planície criativa de seus pintores musicais. A inventiva inspiração que move a cidade pode ser encontrada nos novos e possíveis caminhos, desenhados na tela morena com a música, a voz e a poesia de Marcus Peretto – suas composições estão saindo do forno de férteis inquietudes para ganhar a mais ampla reverberação, em poesias reflexivas e uma voz instigante, no andar de melodias bem nascidas.

Marcus Peretto é um jovem campo-grandense musicalizado na ordem religiosa Arautos do Evangelho. Aprimorou seus conhecimentos ingressando em várias fontes e aprendendo música com mestres como Maurício Kemp, Denis Ferreira e Cristiano Kotlinski. Compor a poesia e lapidar a harmonia; dialogar na linguagem hiperativa das guitarras; e interpretar com a voz diferenciada de quem anda redescobrindo sonoridades, tudo isso permitiu a ele criar um estilo próprio, que batizou de “cool MPB”.

O motivo dessa denominação ele explica: “Apesar da bagagem gregoriana e de marchas de fanfarra que vivenciei no monastério católico, eu caminho com influências e inspirações de cancioneiros consagrados: Lenine, Gil, João Bosco, por exemplo, e conto ainda com um quê do rock’n roll clássico, que também está na receita musical que me alimenta”.

PRIMEIRO DISCO - Em 2017, no Estúdio 45, com Anderson Rocha, vinha à luz seu primeiro disco, “Egrégora” [do grego egregorein, que significa a combinação de forças mentais, físicas e emocionais entre pessoas unidas por um mesmo objetivo]. Esse disco registra as suas primeiras composições com roupagem de rock progressivo. Foi uma fase essencial para avançar e chegar neste momento novo, porém inovador, de maturidade, acumulado de experiências que forneceram amplo e rico repertório musical.

Marcus Peretto focaliza suas elaborações poéticas e musicais na música popular, inserindo nela sensações sofisticadas e texto reflexivo, além de conduzir, sem clichês discursivos, os questionamentos fundamentais da sociedade. Para isso, tem a companhia constante de dois instrumentistas talentosos, o baixista Luciano Sá e o baterista Mateus Yule.

Para entrar por esta porta de novas possibilidades que Campo Grande abre aos seus artistas, Marcus Peretto será visto, ouvido e medido em um videoclipe com uma de suas composições, “O Que Nem Sempre É Literal”. As gravações já entraram na etapa conclusiva e o artista as considera como um marco inicial de sua carreira:

“A partir desse clipe eu entendo que esteja dando o primeiro grande impulso à minha carreira. Com esse vídeo, quis agregar valor à natureza da cidade. Filmamos em cachoeira, pedreira, no cerrado, no trilho abandonado, em meio a eucaliptos... e fiz uma visita inspiradora ao mestre Manoel de Barros na Afonso Pena”, conta, referindo-se à estátua de 400 kg do poeta, feita em bronze pelo cartunista e escultor campo-grandense Ique.  (

Edson Moraes – DRT/MS 857)
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