“Vivemos o melhor tempo da nossa história, mas não estamos felizes”

Em uma era de tantas oportunidades e estímulos, a sabedoria se faz necessária

04.05.2019

Foto: Ilustrativa

Não se preocupem em encontrar seu propósito: o encontro é consigo mesmo. Para isso, é preciso saber quem somos, do que gostamos, o que queremos, e ainda assim as respostas tendem a ser vagas e amplas. E está tudo bem. Se não sabemos ainda, então é hora de experimentar e testar, sem pressa nem pressão. Sabendo que o trabalho é provavelmente o local onde passaremos a maior parte da nossa vida, devemos acreditar no que fazemos, confiar no nosso produto e sentir que estamos melhorando o mundo. Não porque alguém nos falou que certo emprego é bom, mas porque ele nos inspira um sentimento genuíno e verdadeiro.

Nós não somos o nosso trabalho, e isso tem que ficar claro. Vemos uma geração que finalmente percebeu os problemas de trabalhar apenas por dinheiro mas falhou em ver o valor do tempo livre. Como em qualquer outra revolução, o “propósito” virou ideológico, e estamos apegados ao que somos no trabalho como se isso nos definisse. Agora, o mais importante não é o cargo ou a remuneração, mas quantas pessoas estamos impactando. É um indicador melhor, mas ao mesmo tempo pode ser apenas mais uma armadilha do ego.

Há uma tendência humana de fortalecer a personalidade, de querer se encaixar, vestindo uma camisa e dizendo “eu sou isso”. Isso não vem do coração, nasce do medo e da vontade de pertencer. De fato, ser único dá medo, mas também é libertador. Ninguém disse que seria fácil, apenas que valeria a pena.

Nossa motivação maior é clara: sermos felizes o maior tempo possível. O nosso propósito é claro: ajudar os outros a viverem melhor, o que inclui cuidar do nosso planeta. Para isso, existem milhares de profissões capazes de nos proporcionar sentimentos de felicidade e propósito muito semelhantes.

Não tem por que nos sentirmos perdidos ou termos medo. Tratando os outros bem e se dedicando, as coisas acontecem, as portas naturalmente se abrem. Existe uma ilusão de que precisamos de muito para sermos felizes. Precisamos de pouco, mas esse pouco inclui paz de espírito e consciência limpa.

Vivemos o melhor tempo da nossa história, mas não estamos mais felizes. Estamos hipnotizados, achando que precisamos ter tudo, ser bom em tudo e, com isso, a única certeza é a de que seremos infelizes. A felicidade está dentro. A gente complica a vida à toa e o bem mais valioso é o tempo. Em uma era de tantas oportunidades e estímulos, a sabedoria se faz necessária. A vida pode não ser fácil, mas ela é simples.

Por Diego Burger Araujo Santos, estudante de Psicologia na Universidade Budista de Naropa em Boulder, no Colorado
 

Fonte: Zero Hora – RS

Manoel Afonso

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