Lúdio Coelho, o “Homem do Chapéu” deixou um legado de simplicidade

Roberto Higa

O ex-senador e ex-prefeito de Campo Grande, “Seo Lúdio”, como ficou conhecido, era visto como uma figura simples e direta.  Nas suas últimas entrevistas, preservava o sorriso no rosto e a fala tranquila.  Construiu substituir ao longo da sua carreira política a imagem do fazendeiro e latifundiário pela figura de um homem bonachão, firme nas suas convicções, mas sensível as necessidades dos mais carentes, sem apelar para a demagogia e o populismo barato.  Seu chapéu era uma indumentária quase obrigatória de Lúdio Coelho -, que tornava impossível não reconhecê-lo.

Na gestão pública, adotou a política de execução de investimentos apenas com a garantia de recursos em caixa, o que não significou a ausência de investimentos. Lúdio deflagrou ações como o asfaltamento de bairros como o Aero Rancho e as Moreninhas – duas das maiores regiões de Campo Grande.

Coube ao ex-prefeito, também, implementar o SIT (Sistema Integrado de Transportes), alicerçado em ônibus que circulavam entre terminais de transbordo e linhas expressas.  Regularizou e urbanizou várias favelas, como a Comunidade Dona Neta e o “Corredor” da Nova Lima. Na área da infraestrutura trouxe para Campo Grande a experiência da canalização em sistema de gabião no Córrego Prosa; iniciou o grande anel rodoviário e o prolongamento da Avenida Guaicurus e duplicação da Avenida Marechal Deodoro, saída para Sidrolândia.

De Rio Brilhante para a política – Lúdio Coelho nasceu na fazenda Bela Vista, em Rio Brilhante, em 22 de setembro de 1922. Filho de Laucídio de Souza Coelho e de Lúcia Martins Coelho, teve envolvimento desde cedo com o agronegócio. Coube a Lúdio gerenciar o Condomínio LS, com mais de 100 anos e que levava o nome de seu pai, além de administrar a marca LC – por ele criada. Lúdio participou da instalação do primeiro frigorífico do Estado, sendo pioneiro nas atividades de reflorestamento e integração agricultura-pecuária. Ele também foi vice-presidente da ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu). Lúdio ainda presidiu do Banco Agrícola de Dourados, além de ter sido superintendente do Banco Financial.

Ele foi prefeito de Campo Grande em duas oportunidades: entre 1983 e 1985 ocupou o cargo pelo PMDB, e de 1989 a 1992 pelo PTB. Também disputou o governo do Estado em duas ocasiões, sendo derrotado por Pedro Pedrossian e Marcelo Miranda. Três anos depois de deixar a prefeitura da Capital foi eleito senador por MS, período em que ocupou a vice-liderança do PSDB no Senado. Ele também presidiu a legenda no Estado. Ao encerrar o mandato no Congresso, aos 80 anos, Lúdio anunciou sua aposentadoria da vida pública, assumindo a presidência de honra do PSDB sul-mato-grossense. Desde então, suas inserções no meio político foram raras, embora ainda fosse visto com frequência em eventos do setor rural. Desde 2009, quando foi internado por problemas de saúde, suas aparições se tornaram mais raras.

Exemplo de vida e de homem público e “unanimidade” são apenas alguns adjetivos atribuídos a Lúdio Coelho por pessoas que conviveram com o ex-senador e ex-prefeito.

Lúdio Coelho faleceu no dia 22 de março de 2011 em Campo Grande com 88 anos.

Fonte: A Critica

Foto: Roberto Higa

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