Licitações para recapeamento e drenagem de ruas de Campo Grande, lançadas a poucos meses das eleições, já eram vistas com desconfiança. Depois de meses de estagnação nos investimentos, o prefeito Alcides Bernal resolveu anunciar as melhorias, na tentativa de transformá-las em “vitrine eleitoral”. Por enquanto, a estratégia tem tornado-se outro “tiro no pé”.
Menos de um mês depois, foram prorrogadas para agosto a entrega de propostas de cinco dos editais do certame. Os motivos, novamente, não foram explicados. Falta clareza às ações da administração municipal que, frequentemente, reclama da dificuldade em executar determinados serviços por falta de dinheiro. Agora, quase milagrosamente, apareceram os R$ 22 milhões de recursos próprios para recuperar dez vias da cidade.
Nos últimos três anos e meio, mesmo com recursos em caixa, a prefeitura não conseguiu tirar algumas obras do papel. A recuperação do Rio Anhanduí, às margens da Avenida esbarrou justamente na fase de licitação. Não houve empresas interessas, o projeto e os valores precisariam ser alterados. Nada foi feito. Há ainda ruas e avenidas que seriam recapeadas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com base em projetos elaborados ainda pela gestão anterior. Bernal anunciou parceria com o Exército, algo que até agora não avançou para além do discurso. Nem mesmo os serviços rotineiros de tapa-buraco foram mantidos.
Depois de meses de paralisação, os reparos voltaram a ser feitos justamente na época de chuva forte. Duraram pouco e o dinheiro foi desperdiçado. Agora, na época de estiagem, os trabalhos seguem lentamente, pois quatro empresas não tiveram contratos renovados.
Outros fatores contribuem para o desgaste da credibilidade de Bernal, que tenta, a todo custo, mostrar algum trabalho com a proximidade das eleições municipais. Não conseguirá fazer em apenas três meses o que negligenciou durante seu tempo no cargo. Nesse ímpeto, além das licitações para recapeamento de vias, Bernal “entregou” prédios de postos de saúde que ainda não podem ser inaugurados porque não há pessoal suficiente para trabalhar e as contratações não podem ser feitas nessa época, por restrições da lei eleitoral.
É o que aconteceu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Santa Mônica. Também fez evento para anunciar retomada de obras, que estavam paralisadas desde 2012. Entretanto, os trabalhos não duraram duas semana e restaram apenas as placas anunciando “obra retomada – estamos recuperando Campo Grande”.
Estranha o fato de milhões estarem guardados no caixa para esses novos investimentos, que surgem só agora. Ao mesmo tempo, há outras incógnitas, a exemplo do rombo da Previdência.
Ações que não passam de engodo refletem diretamente na credibilidade do prefeito, que já perde prestígio. Ficará mais difícil tentar vender ilusões, pois os campo-grandenses já vivenciaram na prática a dificuldade para concretizar muitas das promessas feitas e o desleixo com recursos. O retrospecto da atual gestão e o contexto de dificuldades financeiras – demonstrado até mesmo pela recente paralisação de obras ou pelos pedidos de empréstimos para contrapartidas – evidenciam a dificuldade para crer que o recapeamento de vias não passa de mais um dos vários anúncios.
A estagnação foi tamanha que, hoje, fica difícil acreditar em avanços. Game over!






