O advogado do vereador Otávio Trad, André Luis Borges Neto, apresentou notificação ao desembargador Luis Claudio Bonassini com o que ele considera algo “surpreendente”. Tendo em vista que, segundo a defesa, foi apresentada documentação ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) com toda movimentação bancária detalhada do parlamentar, esta foi ignorada com a informação de que não seria necessária para a investigação da Coffee Break. A operação investiga a suposta negociação de votos para cassar o mandato do prefeito Alcides Bernal (PP) em março de 2014.
“Trata-se de algo, no mínimo, contrário ao que há de bom e valioso no regime jurídico, não permitir o contraditório. A verdade é algo sempre a ser buscado também em procedimento administrativo, razão suficiente para o promotor receber, examinar e reter documentação a ele ofertada, ainda mais diante do teor da acusação, que é a suposta compra de votos para cassação de prefeito e da ampla publicidade dada pelo Gaeco às suas atividades”, contestou Borges Neto.
O advogado também reclamou que foi requerida a documentação dos autos. “A alegação é de que tudo está sendo digitalizado, não se devolveu o celular apreendido, com a alegação de que é preciso expedir uma ordem judicial e não se entregou cópia do relatório da perícia realizada no celular, a alegação é que ela será entregue diretamente no Tribunal”, pontuou.
Otávio foi um dos primeiros vereadores a prestar depoimentos ao Gaeco, ainda no bojo da operação Adna, em abril de 2014. Em agosto deste ano, ele também teve o celular apreendido a pedido do promotor Marcos Alex Vera.
“Tais fatos precisam ficar aqui registrados”, destacou ele, para que Bonassini tenha ciência das dificuldades “sempre descabidas” causadas à defesa.




