“O sonho de Juscelino Kubitschek de criar uma comunhão entre os brasileiros de várias regiões, raças, sotaques, neste país continental, numa verdadeira integração nacional, foi realizado”, afirmou Maria Estela que acompanhou a construção da cidade ao lado da mãe Sara e da irmã, Márcia.
Para Maria Estela, JK acreditava que, apesar de ser responsável pela construção da nova capital, ele acreditava “todos eram donos” na cidade.”Percebo este sentimento na população de Brasília: ‘gentes’ de vários estados, mas todos se sentem donos da cidade, e por isso, a maioria não a abandona”.
Para a filha de JK, todos os anônimos contribuíram para fazer de Brasília o que ela é hoje. “Cada um teve e muitos ainda têm uma contribuição na construção de Brasília.”
Candangos
Maria Estela lembra que o pai adorava a companhia dos “candangos”, trabalhadores que ajudaram a construir a cidade, e escapava sempre que possível para estar com eles.
“Às noites, JK sentava com os candangos, nos canteiros de obras e cantava com eles. Às vezes, ele chegava tão à vontade que muitos se perguntavam se era realmente o presidente que estava ali”, contou Maria Estela.
Avesso a convenções, Maria Estela disse que o pai resistiu à ideia de Brasília ter uma pedra fundamental. No lugar da pedra, plantou uma cruz e chamou o arcebispo Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, de São Paulo, para celebrar um ato ecumênico. O arcebispo trouxe uma imagem de Nossa Senhora Aparecida que está na Catedral de Brasília. “Foi com a primeira missa, assim como no descobrimento, que nasceu Brasília”, relatou.
O avião que virou cidade
O Plano Piloto, coração de Brasília, nasceu de um concurso para selecionar o melhor entre 41 projetos. O arquiteto Lúcio Costa foi o vencedor. Ele pensou Brasília em forma de avião com amplas asas e um corpo extenso. Assim, na capital não há nomes de ruas nem bairros, são números siglas e duas referências: Asa Norte e Asa Sul.
*Colaborou Paula Barros, da TV Brasil no Rio de Janeiro.
Edição: Amanda Cieglinski




