Pesquisa da CNT mostra que más condições das rodovias aumentam despesas operacionais, comprometem a eficiência logística e elevam os riscos para motoristas
As condições do pavimento das rodovias brasileiras podem elevar em até 31,2% os custos operacionais do transporte de cargas, segundo a Pesquisa CNT (Confederação Nacional do Transporte) de Rodovias 2025. Em um país onde aproximadamente 65% de toda a produção circula pelas estradas, a qualidade da infraestrutura deixou de ser apenas uma questão de mobilidade para se tornar um fator determinante para a competitividade da economia.
Irregularidades no asfalto, buracos, deformações e trechos deteriorados aumentam o consumo de combustível, aceleram o desgaste de pneus, freios e suspensão, reduzem a vida útil dos veículos e prolongam o tempo das viagens. O resultado é uma operação mais cara, menos eficiente e com impactos que se refletem em toda a cadeia logística.
No transporte de veículos zero-quilômetro, esses efeitos ganham proporções ainda maiores. Os caminhões-cegonha percorrem milhares de quilômetros transportando cargas de elevado valor agregado, o que exige trajetos seguros e pavimento em boas condições para preservar a integridade dos automóveis, cumprir cronogramas de entrega e reduzir riscos durante as operações.
Embora São Paulo apresente os melhores indicadores rodoviários do país, a realidade nacional ainda está distante do cenário ideal. A Pesquisa CNT de Rodovias 2025 mostra que 77,1% da malha avaliada no estado foi classificada como ótima ou boa. O levantamento também registra desempenho acima da média nacional em sinalização, com 93,1% de avaliação positiva, geometria das vias (66,2%) e qualidade do pavimento (68,6%). Ainda assim, a eficiência do transporte depende da qualidade de toda a malha percorrida pelos caminhões, inclusive nos corredores logísticos que conectam diferentes regiões do país.
Além dos problemas estruturais, o setor enfrenta um cenário crescente de insegurança nas estradas. Dados do Boletim Tracker-Fecap, referentes ao primeiro trimestre de 2026, mostram que quase 80% dos roubos de carga envolvem a retenção dos motoristas pelos criminosos, evidenciando que os desafios enfrentados pelos profissionais vão muito além da infraestrutura.
Para o presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), entidade patronal que congrega mais de 5 mil profissionais especializados no transporte de veículos zero-quilômetro em todo o país, José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, investir na recuperação das rodovias é uma medida estratégica para toda a economia.
“Cada quilômetro de estrada mal-conservada custa caro para quem transporta, para quem produz e também para quem consome. O caminhão gasta mais, a manutenção aumenta, a viagem demora mais e o risco cresce. Quando o poder público investe em infraestrutura, não está apenas recuperando o asfalto; está fortalecendo a logística, reduzindo custos e tornando o Brasil mais competitivo.”
O diretor regional do Sinaceg, Márcio Galdino, ressalta que a conservação das rodovias influencia diretamente a segurança das operações e a qualidade do transporte.
“Muita gente enxerga apenas um buraco na pista. Quem vive a estrada sabe que ele representa desgaste da frota, maior consumo de combustível, atrasos e mais exposição a acidentes. No transporte de veículos, em que cada carga exige precisão e cuidado, uma rodovia bem conservada faz diferença do início ao fim da operação. Segurança e infraestrutura caminham lado a lado.”
Na avaliação do Sinaceg, ampliar os investimentos em recuperação, conservação e modernização da malha rodoviária brasileira é uma medida essencial para elevar a eficiência logística, reduzir custos operacionais, aumentar a segurança dos motoristas e fortalecer um setor responsável por movimentar grande parte da economia nacional.



