Landmark Rios faz balanço de mandato, alerta para o crescimento de favelas e cobra governos por investimentos na saúde de Campo Grande

Em uma entrevista ao Jornal da Top, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, o vereador Landmark Rios (PT) apresentou um balanço detalhado de suas principais ações no legislativo municipal. Mesmo em seu primeiro ano de mandato, o parlamentar assumiu a importante responsabilidade de ser o relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o próximo ano, que prevê um orçamento superior a R$ 7 bilhões e conta com a análise de mais de 600 emendas parlamentares.

Durante a conversa, o vereador destacou que sua experiência prévia no Executivo ajudou a estruturar um gabinete técnico capaz de lidar com o volume e a complexidade dos problemas que a capital sul-mato-grossense enfrenta atualmente.

Habitação em crise: o retorno das favelas

Um dos temas mais alarmantes trazidos pelo parlamentar foi o cenário habitacional de Campo Grande. Segundo Landmark, a cidade conta hoje com cerca de 220 favelas ou ocupações informais, somando mais de 50 mil pessoas na fila de espera por uma casa própria. Ele relembrou que a capital já foi destaque nacional no passado por atingir a marca de “zero favelas” até 2011, e atribuiu o retrocesso atual à ausência de políticas públicas habitacionais efetivas por parte das últimas gestões municipais.

A conta que não fecha na Saúde: “Uma Campo Grande dentro da outra”

Ao analisar a crise na saúde pública, Landmark Rios apresentou um dado intrigante: embora Campo Grande possua cerca de 960 mil habitantes, o município contabiliza quase 1,6 milhão de cartões do SUS ativos.

“Nós temos uma outra Campo Grande invisível dentro da nossa cidade. São pessoas de outros 77 ou 78 municípios do estado que vêm buscar socorro nos nossos hospitais (como o HU, o Hospital Regional e a Santa Casa) e nas nossas unidades de saúde. É uma conta que não fecha apenas com o orçamento municipal”, explicou.

O vereador enfatizou a urgência de uma ação coordenada, cobrando que tanto o governador Eduardo Riedel quanto o governo federal estendam a mão à capital para reforçar o custeio da saúde. Paralelamente, apontou problemas de má gestão local e citou a falta de insumos básicos e médicos nos postos. Landmark lembrou que foi um dos primeiros a assinar o pedido de abertura da CPI da Saúde e se posicionou firmemente contra as propostas de terceirização das UPAs do Tiradentes e do Aero Rancho.

Infraestrutura, Emendas e Captação de Recursos

A precariedade da zeladoria urbana e o excesso de buracos nas vias públicas também foram duramente criticados. O parlamentar relatou ter cobrado formalmente o secretário de obras por respostas urgentes e pelo aumento das equipes de manutenção nas ruas.

Para mitigar a falta de recursos, o vereador destacou sua articulação política em Brasília, que resultou na captação de milhões de reais em emendas federais de deputados e senadores de diferentes vertentes (como Nelsinho Trad, Soraya Thronicke e Vander Loubet). Esses recursos foram destinados, por exemplo, à substituição de compressores odontológicos queimados nas unidades de saúde e a obras de pavimentação. Ele também celebrou a entrega federal de 29 micro-ônibus, quatro unidades móveis odontológicas e o lançamento da ordem de serviço para a construção da nova Policlínica de Campo Grande.

Defesa das Comunidades e Ação Inédita com Acampamentos

No encerramento da entrevista, Landmark abordou o suporte jurídico que sua assessoria tem prestado às famílias da Comunidade Lolita, localizada em uma área sob a posse do DNIT (governo federal), que receberam notificações de despejo por parte do município. Uma reunião foi agendada com as lideranças locais e equipes técnicas para mediar o conflito. Além disso, destacou que a comunidade foi integrada ao programa federal “CEP para Todos”, garantindo visibilidade e acesso a direitos básicos.

Por fim, o vereador anunciou uma iniciativa inédita da Câmara Municipal: a realização de uma audiência pública oficial dentro do acampamento “Zumbi dos Palmares” (organizado pelo MPL). O objetivo do encontro é debater a criação e o fortalecimento do “cinturão verde” de Campo Grande, visando incentivar a agricultura familiar e garantir o abastecimento da capital com alimentos saudáveis, reduzindo a dependência de produtos vindos de outros estados.

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