Receitas para vencer uma eleição

Manoel Afonso

MAIORIA:  Um candidato ao Governo dos Estados Unidos, ao ouvir essa declaração de um apoiador: “Todas as pessoas que pensam votam no senhor”; ponderou: “ Não é o bastante. Para vencer eu preciso de maioria”. O episódio mostra que pouco interessa ao candidato as diferenças ideológicas e partidárias de seus eleitores. Basta apenas que o ajudem a compor a maioria e vencer. Ponto final.

ELEITOR RACIONAL: É preciso se conscientizar. Como modelo esse tipo de eleitor existe apenas na teoria. Na pratica, o eleitor tomado por emoções, acaba abraçando pessoas e até aderindo ideias duvidosas – divorciadas da lógica racional. Diz o velho ditado: Não haveria políticos enganadores se não existissem eleitores dispostos a serem enganados.

SEDUÇÃO:  O eleitor precisa ter pontos de identificação com a história do candidato.  Convenhamos: apenas promessas mirabolantes não sustentam uma candidatura. Essa conexão entre candidato e eleitor não se constrói da noite para o dia, mesmo com a utilização das atuais estratégias de marketing. O candidato precisa ajudar.

ESTRATÉGIAS: Existem, graças aos recursos de mecanismos digitais, inclusive da ‘Inteligência Artificial’ que preocupa a Justiça Eleitoral. Marqueteiros já propagam suas habilidades em todo o país, num aceno de que essa campanha custará os olhos da cara.  Pelas notícias na mídia, há recursos já assegurados. Enfim, uma festa sem limites!

MARCELO MIRANDA: Uma das últimas lideranças da ‘velha guarda’. Cidadão simples e como todos os políticos, cometeu acertos e equívocos, Vítima de fatores circunstanciais, sem apoio de seu grupo político teve sua imagem desgastada. Viveu  outra época; não guardou mágoas na geladeira. . Cumpriu sua missão. Foi em paz.

LAGRIMAS:  “ O caixão iguala o líder a qualquer cidadão comum. ” Experiência amarga – provação paternal dolorida vive o deputado Londres Machado com a perda da filha Grazielle. Apesar de sua fé, da boa índole e experiência de vida, Londres jamais será o mesmo. Essa perda contraria o ciclo existencial que entendemos ser a ordem natural da vida. 

REFLEXÕES: “ Títulos, cargos e honrarias tornam-se apenas adereços deixados para trás. O que resta são narrativas, as vezes distorcidas ou esquecidas rapidamente. Refletir  sobre a partida de uma filha envolve navegar por sentimentos complexos e aceitar que o processo não é de  esquecer, sim de conviver com a saudade. Mas o ritmo da política é cruel, ignora o luto, exige resposta rápida. ”   

NO RINGUE: Repercutem as declarações de Michelle Bolsonaro contra os filhos de Bolsonaro. Destaque para a crítica ao apoio do PL a candidatos que não representam o pensamento da direita, como o caso de Ciro Gomes, no Ceará. Questiona-se: o episódio poderá fomentar revoltas de bolsonaristas em outros estados e até rachar o PL?

COERÊNCIA: É exatamente essa postura que Michelle cobra dos ‘diletos’ enteados nesta fase eleitoral. Ela cobra memória e valorização dos companheiros desde o início da jornada. Agora, é esperar pela reação do ex-presidente; avalizará o pensamento dela e reprovará a conduta de seus filhos? E qual será a postura da direção nacional do PL?

INEVITÁVEL: Formatar um grupo ou uma candidatura com lideranças homogêneas, sem divergências é difícil. Não por acaso, o ex-governador Abreu Sodré (SP) sustentava que ‘a política é a arte de engolir sapos’. Todos os partidos têm arestas, provocando críticas e defecções. Afinal o poder atrai ambições, interesses e egos divergentes.

CHANCES: Cada dirigente ou candidato tem suas próprias conclusões a respeito das possibilidades de êxito. Alguns tem as pesquisas como referência, a votação no pleito anterior e ainda novas alianças apoiadoras. Mas insisto, o sistema das federações é uma  novidade traiçoeira.  Provocará alegria para uns, tristeza para outros.

DESINTERESSE? Dados do TSE mostram que nas eleições de 2024 – dos 646.198 eleitores de Campo Grande, cerca de 164.799 não foram votar. 25% do eleitorado.  Por se tratar de pleito municipal esse índice assusta. Não deixa de ser um alerta para os candidatos que tem na capital sua principal base eleitoral. Pode faltar gente nas urnas.

ILUSÃO: Há uma tese de que fazer política na capital seria mais barato do que no interior. ‘É relativo!’ – como diria o personagem do saudoso Chico Anísio. No fundo, o tal voto barato pode ficar caro exatamente pela crescente tendência do eleitor de deixar de votar. O cabo eleitoral promete 100 votos, mas nem todos os eleitores comparecem.

DO LEITOR: “Vivemos num mundo ansioso. Será que o mundo acabará amanhã? Não há descanso para o cérebro carregado de estímulos. Nossa rotina está acelerada e vigora o imediatismo. A internet tem grande parcela de culpa e o celular idem. As relações sociais deteriorando em todos os segmentos. Nada mais é presencial. Que chatice. ”

NA ESTRADA: Uma hora na Europa, Estados Unidos; outra no Nordeste, em Três Lagoas e Ponta Porã. De olho no calendário eleitoral, Lula vai aproveitando para fazer o que melhor sabe. Na outra ponta, a mídia vai mostrando as rusgas entre a ex-primeira dama Michelle e Flávio Bolsonaro. Não é preciso ser especialista para apontar quem está levando vantagem política.

A PROPÓSITO: Enquanto isso, o vice-presidente Alckmin também na estrada fazendo política. Ele esteve nesta semana em Dom Aquino (MT) inaugurando o terminal ferroviário do trecho de 168 km (conectando Rondonópolis a Dom Aquino) construídos com recursos (R$5 bilhões) da Rumo. Claro, naquela ocasião, houve o aproveitamento político-eleitoral, num estado cuja economia é baseada no agronegócio. Aliás, Mato Grosso responde pela produção de 31% dos grãos do país.

REFLEXÃO: “Rico não é o homem que coleciona e se pesa no amontoado de moedas, e nem aquele, devasso, que se estende, mãos e braços, em terras largas; rico só é o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, não contrariando suas disposições, não se rebelando contra o seu curso, não irritando sua corrente, estando atento para o seu fluxo, brincando-o antes com sabedoria para receber dele os favores e não sua ira; ( …) ( Raduan Nassar in ‘Lavoura Arcaica’.

PILULAS DIGITAIS:

A ‘bondade’ de Daniel Vocaro não tem lado; vai da direita à esquerda e para no centro.

Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho impar. (Carlos D. de Andrade)

Os loucos abrem caminhos que os sábios mais tarde percorrerão. (Carlo Dossi)

No Brasil nem a esquerda é direita. ( Zé Simão)

Camarão que dorme, a correnteza leva. (Eduardo Marzagão)

No fundo, talvez não muito bom negócio vender a alma. A alma, às vezes, faz falta. ( Rubem Braga)

Ser adulto foi o desejo mais estúpido que tive quando era criança. (na internet)

Todo poder corrompe, e o poder absoluto corrompe de maneira absoluta. (Lord Acton)

A vitória não ensina nada. O que ensina é a derrota. (Chico Anísio)

A pior loucura é ser sábio num mundo de loucos. (Erasmo  de Rotterdan)

Ainda há juízes em Brasília? (Erick B. Vidigal)

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