Entrevista com o ex-deputado federal Fábio Trad, no Jornal da Top

Rede Top FM

Nesta terça-feira (23), a 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, encerrou a semana, nesta sexta-feira (27), entrevista o ex-deputado federal Fábio Trad (PT), pré-candidato a governador de Mato Grosso do Sul, que tratou da sua campanha eleitoral, o cenário político estadual e suas propostas.

“O cenário político estadual é distinto das dificuldades apontadas em pesquisas nacionais sobre o PT. Em Mato Grosso do Sul o partido já consolidou um arco de alianças com PSB, Podemos, PCdoB e PV, além de manter conversas avançadas com o PDT”, revelou.

Ele minimizou os resultados de levantamentos que indicam resistência à expansão do PT em governos estaduais e defendeu que o debate local deve ser analisado sob outra lógica política. “Enxergo dois grandes campos em disputa no país: um ligado aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 em Brasília (DF) e outro que atua em defesa das instituições e da democracia, campo no qual me posiciono”, afirmou.

O pré-candidato a governador também criticou o alinhamento de parte da classe política sul-mato-grossense com o governo estadual, afirmando que esse apoio muitas vezes ocorre por conveniência política e não por coerência ideológica. “Há parlamentares que apoiam o governo estadual, mas mantêm apoio ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em nível nacional”, afirmou.

Durante o que chamou de “caravana popular” pelo interior do Estado, Trad afirmou ter identificado três principais áreas de insatisfação da população: saúde, educação e distribuição de renda. “Na saúde, há filas longas, demora em atendimentos e espera prolongada por procedimentos, incluindo cirurgias eletivas”, assegurou.

Na educação, ele apontou preocupação com a estagnação de indicadores como o IDEB, citando desempenho inferior ao de estados como Ceará, Alagoas e Piauí. “Já na economia, critico o modelo de distribuição de riqueza, pois o Estado vende riqueza, mas não a distribui adequadamente à população”, lamentou.

O ex-deputado federal afirmou estar “absolutamente preparado” para debater com o governador Eduardo Riedel (PP), destacando que o debate deveria ocorrer em bases programáticas e propositivas. “Houve até sinalizações de que o governador demonstrou satisfação em me enfrentar em discussões públicas, embora agora perceba má vontade em participar de debates”, analisou.

Trad também avaliou que a baixa presença de uma oposição estruturada no Estado teria contribuído para a pouca repercussão de denúncias envolvendo a gestão estadual. Entre os pontos levantados, ele citou o caso da Sanesul, alegando que a irmã do presidente da companhia possui uma empresa que disputa licitações de grande valor.

O pré-candidato também mencionou a empresa Credcesta, que, segundo ele, atua oferecendo empréstimos consignados a servidores públicos com juros elevados, apesar de não ser reconhecida como instituição bancária pelo Banco Central. “Há mais de 500 ações judiciais relacionadas ao caso e defendeu a suspensão dos contratos”, alertou.

Ele ainda citou o caso envolvendo o Banco Master, mencionando a prisão de seu proprietário por suspeitas de fraude, e questionou a manutenção de operações financeiras associadas a esse tipo de empresa.

Questionado sobre a origem de programas semelhantes na Bahia e eventuais investigações envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA), Trad afirmou que eventuais erros devem ser punidos individualmente, mas que isso não invalida os princípios do partido nem impede a apuração de irregularidades no Mato Grosso do Sul.

Em caso de vitória eleitoral, o pré-candidato afirmou que pretende fortalecer o orçamento público estadual, com foco em investimentos em saúde, educação e segurança. “Defendo uma revisão da política tributária, com maior progressividade fiscal e critico o que classifico como isenções a grandes contribuintes enquanto a população de renda média e baixa arca com maior carga tributária”, declarou.

Segundo ele, Mato Grosso do Sul teria uma renúncia fiscal de cerca de R$ 11,95 bilhões ao ano, valor que, na avaliação dele, supera investimentos em áreas essenciais. “A proposta seria garantir que quem tem mais pague mais, quem tem menos pague menos e quem não tem nada não pague”, defendeu.

Trad afirmou que o principal problema do Estado é a “falta de competência na gestão”, rejeitando a imagem de eficiência administrativa atribuída ao atual governo. Também se posicionou contra a escala de trabalho 6×1, classificando-a como prejudicial ao trabalhador e defendendo revisão do modelo.

O pré-candidato afirmou ainda que continuará apresentando suas propostas em encontros regionais e nas redes sociais, onde vem divulgando sua pré-campanha ao lado de sua vice, a Dona Gil (PT), ex-primeira-dama do Estado.

Assista a entrevista completa pelo link:

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