Dono de uma das trajetórias mais robustas da história política de Mato Grosso do Sul, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) vive um momento estratégico de transição. A legenda, que por décadas ostentou a marca de maior força partidária do estado, tanto em relevância quanto em capilaridade, hoje foca seus esforços em um plano de reestruturação interna sob o comando do presidente regional, o ex-senador Waldemir Moka.
A história do partido (antigo PMDB) se confunde com a própria consolidação política sul-mato-grossense. Nas décadas de 1980, 1990 e 2000, a sigla governou o estado por vários mandatos com nomes de peso expressivo, como Wilson Barbosa Martins e André Puccinelli. Naquela época, detinha com folga as maiores bancadas na Assembleia Legislativa (Alems) e controlava a maioria absoluta das prefeituras.
Mesmo enfrentando quedas graduais em sua militância nos últimos anos, dados históricos apontam que o MDB ainda preserva o posto de maior legenda em número de filiados em MS. Contudo, a hegemonia absoluta mudou de mãos nas últimas eleições com a ascensão do PSDB, que assumiu o governo do estado e a liderança na quantidade de municípios. É exatamente esse terreno que a atual gestão tenta reconquistar.
Assembleia Legislativa
O primeiro teste dessa nova fase será a eleição para o Legislativo Estadual. De acordo com a pesquisa do Instituto Ranking Brasil Inteligência, realizada entre 1º e 5 de junho de 2026, a estimativa atual é de que o MDB eleja de 1 a 2 deputados estaduais.
O principal puxador de votos da sigla continua sendo o ex-governador André Puccinelli, que lidera as intenções dentro do partido com 0,85%. Ele é seguido pelo experiente deputado estadual Junior Mochi, que pontua com 0,25%.
A ex-prefeita de Naviraí, Rhaíza Mattos, aparece logo atrás com 0,20%. Completam a lista de pré-candidatos que buscam pontuar para encorpar o quociente partidário da legenda: Laudir Munareto (0,10%), o ex-prefeito de Bataguassu, Akira Otsubo (0,05%), Jenir Neves (0,05%), o vereador Junior Coringa (0,05%) e o Professor André (0,05%).

O peso da legenda
No sistema proporcional do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a força histórica de filiados do MDB e os votos na legenda (quando o eleitor vota apenas no número 15) são fundamentais. Para garantir cadeiras, o partido precisa que a soma de todos os votos de seus candidatos supere o Quociente Eleitoral (QE) — a “nota de corte” obtida dividindo os votos válidos pelas vagas da Casa.
Dividindo o total de votos do MDB pelo QE, descobre-se o Quociente Partidário (QP), que aponta as vagas diretas. Por fim, nas vagas que sobram, as regras exigem que o partido atinja individualmente 80% do QE para disputar a média, e o candidato precisa de pelo menos 10% do QE de forma nominal para tomar posse. É nessa matemática que os emedebistas apostam para garantir o retorno de nomes tradicionais ao parlamento.
Metodologia da Pesquisa
A amostragem foi realizada pelo Instituto Ranking Brasil Inteligência entre os dias 1º e 5 de junho de 2026. Foram entrevistados 2.000 eleitores com 16 anos ou mais, cobrindo 30 municípios de Mato Grosso do Sul. A pesquisa utiliza metodologia quantitativa com entrevistas pessoais e via sistema CAT, apresentando um intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. Os registros oficiais na Justiça Eleitoral são MS-06874/2026 e BR-03768/2026.





