Nesta quinta-feira (31), o programa “A Banca”, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou a delegada de Polícia Civil Ana Cláudia Medina, titular do DRACCO (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado). Ela falou da atuação no combate ao crime em Mato Grosso do Sul e como tem sido importante o trabalho do DRACCO na elucidação de vários casos que lesavam o patrimônio público.
“O departamento foi criado já pensando estrategicamente nas vulnerabilidades da segurança em Mato Grosso do Sul. Vamos dizer assim, a gente sabe que Mato Grosso do Sul é localizado estrategicamente em pontos que chamam a atenção dos grupos organizados para a prática dos crimes. Muitas vezes nós acabamos abrangendo delitos que seriam de um local só de rota, mas nós conseguimos neutralizar aqui. O que vem muito é exatamente saber entender esse espaço, esse cenário, e poder aplicar técnicas especializadas para que faça isso”, declarou.
Ela reforçou que o DRACCO vem com essas duas frentes sensíveis, que são o combate à corrupção e ao crime organizado. “São complexidades que a gente já trata, pensando também na nossa geolocalização, e veio especificamente para que a gente pudesse fazer uma repressão qualificada em cima desses grupos organizados, saindo daquilo que é o comum, tentando fazer apurações cada vez mais aprofundadas e trazendo resultados cada vez mais eficazes, saindo só da responsabilização, mas principalmente fazendo sufocamento financeiro das organizações criminosas em todas essas vertentes”, pontuou.
A delegada também falou sobre a existência do Presídio Federal de Campo Grande e como isso afeta a criminalidade no Estado. “Acho que nós temos que pensar num contexto em duas frentes. A primeira é que o regime disciplinar diferenciado vem exatamente para a neutralização das lideranças do crime organizado, porque nós sabemos que se fortaleciam dentro do presídio, entremuros, como nós falamos. Então, há uma necessidade de você adotar uma postura diferente para aqueles que tinham poder na massa carcerária, na continuidade dos delitos, mesmo encarcerados, em que nós temos várias facções que acabaram se fortalecendo com a prática de integrantes que estavam encarcerados”, explicou.
Ana Medina completou que, quando é feita a transferência de lideranças criminosas, há reflexos disso no Estado. “Mas eu vejo que as forças de segurança acabam precisando também acompanhar esse dinamismo, pois as famílias deles vêm e a gente sabe que isso traz reflexos, porém, hoje a gente já tem as instituições preparadas para esse tipo de enfrentamento. Nós temos as forças de inteligência, seja penitenciária ou das próprias polícias, que aprenderam a trabalhar com esses reflexos, portanto, trabalham preventivamente para que isso seja minimizado”, detalhou.
A titular do DRACCO reforçou que 2025 tem sido um ano marcante. “A gente ali no DRACCO comemora muito as ações de combate ao crime nesses cinco anos de existência. Eu já tenho 10 anos à frente do combate à corrupção e ao crime organizado no Mato Grosso do Sul e a Operação Ícaro completa em outubro 10 anos, sendo pioneira no país na área da aviação e, por isso, trouxe marcos bem importantes”, recordou.
Ela revelou que a operação acabou sendo iniciada por conta de um furto de peças aeronáuticas em uma oficina, mas, como o DRACCO tinha dentro do seu quadro de integrantes um piloto, foi colocado em xeque estarem ocorrendo furtos em uma área tão controlada. “Afinal, quem estava receptando essas peças e em que aeronaves elas estavam sendo instaladas. Nós vimos que havia uma quebra nessa segurança da aviação e, a partir daí, criamos essa operação que iniciou em outubro de 2015 com o cumprimento de medidas cautelares”, detalhou.
A delegada de Polícia Civil lembrou que a ANAC (Agência Nacional de Aviação Comercial) foi convidada a participar da operação porque entendia que era preciso trabalhar com alguém que era do ramo. “A ANAC veio e nos acompanhou no momento em que nós cumprimos essas medidas cautelares. Nós paramos 46 aeronaves no país naquele momento, exatamente porque estavam em condições inseguras, só da análise que a gente fazia no cumprimento dessas medidas cautelares, em seis estados do Brasil”, revelou.
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