Amiga de jovem que morreu após tentativa de aborto clandestino em MS fala na 1ª audiência

A acusada Simone Maréco Penha, amiga da jovem Aline Franco, de 26 anos, que morreu após tentar fazer um aborto clandestino em Porto Murtinho, região sudoeste de Mato Grosso do Sul, em dezembro de 2016, prestou depoimento na audiência realizada nesta quarta-feira (29).

O advogado Aluysio Ferreira Alves, que defendeu Simone na audiência, disse ao G1 que a Justiça deve suspender o processo contra ela por ter vários fatores favoráveis. Além disso, o laudo sobre a morte consta que a causa foi por problema pulmonar.

O próximo passo é a manifestação do Ministério Público do Estado (MPE) no prazo máximo de 10 dias. Segundo a denúncia do MP, Simone deu uma medicação abortiva à vítima, no início de dezembro, na própria casa em Porto Murtinho.

Sem sucesso, a amiga comprou outro medicamento e enviou pelos Correios para Campo Grande com orientação do técnico de laboratório Dnilson Rodrigues Nunes. A segunda tentativa também não deu certo. Mais uma vez Simone emprestou a casa para Aline, onde foi praticado o aborto por Nunes.

Durante o procedimento, Aline passou mal e desmaiou. O técnico e a amiga a levaram para o hospital da cidade, mas não informaram ao médico sobre o aborto, disseram que ela havia passado mal, caído e batido a cabeça. Por causa do estado grave, a jovem foi transferida para Santa Casa de Campo Grande, mas morreu quando chegou em Jardim.

O técnico de laboratório também foi denunciado por aborto e a audiência dele foi marcada para o dia 8 de março do próximo ano.

Nesta tarde estavam previstas mais duas testemunhas. No entanto, uma desistiu e a outra justificou a ausência, sendo remarcado para o dia 8 de fevereiro e por videoconferência.

Prisão

O técnico de laboratório se entregou à polícia no dia 9 de janeiro deste ano porque tinha um mandado de prisão em aberto por causa da morte de Aline e ficou detido temporariamente até a apresentação da denúncia do MP.

Em depoimento à polícia, Nunes que trabalhava em um hospital público da cidade, negou de ter participado do crime. Ele teria dito apenas que foi socorrer a vítima.

Velório

A mãe da vítima, Helemary Fátima dos Reis, disse que o velório da filha foi interrompido pela polícia e o corpo retirado para exame necroscópico depois da suspeita de abordo clandestino. Aline tinha outros dois filhos.

Ainda segundo a família, o velório estava sendo realizado em Campo Grande, quando a polícia chegou ao local e determinou que o corpo fosse encaminhado para o Instituo de Medicina e Odontologia Legal (Imol).

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