Marquinhos Trad retoma a carreira menor do que quando começou

Em 2004 ele foi eleito vereador com mais de 11 mil votos e agora retorna à Câmara escolhido por 8.567 eleitores

Eleito com maior número votos entre os 493 candidatos a vereador em Campo Grande no último domingo (6), o ex-prefeito Marquinhos Trad (PDT) retoma a carreira política em condição bem menor do que quando a iniciou, em 2004.

Naquele ano, ao conquistar seu primeiro mandato eletivo, também foi o mais votado, conquistando 3,2% dos 346.817 votos válidos (com a exclusão de brancos e nulos), sendo o escolhido de 11.045 eleitores dentre as chapas proporcionais registradas.

Neste domingo, ele também foi o candidato a vereador mais votado, só que dessa vez com 8.567 votos, o equivalente a 1,9% do total de 436.568 votos válidos.

O índice é bem menor se comparado com o obtido quando iniciou a carreira. Mesmo assim, apesar de menor em tamanho eleitoral, ele considera positivo o próprio desempenho, que classifica como “recomeço político”, em alusão à corrida eleitoral de 2022, quando ficou na sexta colocação entre os oito candidatos que concorreram ao cargo de governador.

Recordistas de votos

Essa é a segunda vez que Marquinhos Trad vai exercer a vereança. Para conquistar seu primeiro mandato, num universo de 346.817 votos válidos em 2004, ele ficou também na primeira colocação, escolhido por 11.045 eleitores, o equivalente a 3,2%.

Esse recorde foi batido em eleições municipais posteriores por outros candidatos a vereador, como em 2008, quando Alcides Bernal ficou na primeira colocação com 12.249 votos, o equivalente a 3,05% dos 359.256 dos eleitores que compareceram às urnas.

Em 2012 foi a vez de Zeca do PT cravar novo recorde, conquistando 13.013 votos dos 431.945 depositados nas urnas nas chapas proporcionais, o equivalente a 3,01% do total.

Resultados menores

De lá pra cá, apesar do aumento do número de votos válidos, os índices conquistados pelos primeiros colocados com relação aos votos válidos caíram significativamente.

Em 2016, o primeiro lugar ficou com André Salineiro, que obteve  8.776 votos, o equivalente a 2,10% dos 418.094 votos válidos, acima, portanto, do resultado obtido por Marquinhos Trad no domingo passado.

Agora, com 1,09% dos 436.568 votos válidos do último domingo, o policial federal retorna à Câmara no dia 1° de janeiro de 2025, escolhido por 4.782 eleitores.

Finalmente, em 2020, Tiago Vargas assumiu a ponta, com 6.202 votos, o equivalente a 1,50% dos 408.311 eleitores que votaram naquele ano.

Volta ao começo

Marquinhos Trad classifica como “recomeço político” a sua eleição a vereador no último domingo.

Em 2022, ele renunciou ao cargo de prefeito de Campo Grande para se candidatar a governador, entregando o poder à atual prefeita e sua então vice, Adriane Lopes (PP), hoje sua adversária.

No entanto, os planos de Marquinhos Trad foram sepultados após mais de quinze mulheres procurarem a polícia para formalizar contra ele denúncias de que foram vítimas de crimes sexuais.

Após responder a inquérito, foi denunciado pelo Ministério Público estadual e se tornou réu em ação penal.

A maior parte das denúncias foi arquivada pela Justiça a pedido do próprio Ministério Público, já que alguns dos supostos crimes, entre eles os que teriam acontecido em 2005 e 2013, dentre outros, prescreveram.

A ação penal relacionada a alguns casos foi trancada por instâncias superiores e, no final, restaram no processo apenas duas das vítimas originais apontadas pela polícia.

Absolvição e recurso

Em agosto deste ano, a juíza Eucelia Moreira Cassal não viu crime com relação às duas vítimas que restaram no processo e absolveu Marquinhos Trad.

Tanto o Ministério Público Estadual quanto as duas denunciantes recorreram contra a absolvição de Marquinhos Trad.

Responsável pela defesa das mulheres, o advogado Ronaldo Franco afirmou que existem indícios de que o pedetista praticou os crimes de importunação sexual e exploração sexual.

O recurso será julgado pela 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, cujo relator é o desembargador Luiz Cláudio Bonassini da Silva.

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