Aos 11 anos, o menino Erik Henrique de Oliveira Rodrigues é de poucas palavras, não consegue ler e escrever devido a um transtorno mental associado à epilepsia. No entanto, o desenvolvimento comprometido não o impede de cantar e dançar as músicas do sertanejo Luan Santana. Também são elas que o acalmam e alegram em momentos de crise emocional (veja vídeo acima).
Morador de Leopoldo de Bulhões, a 60 km de Goiânia, os olhos dele brilham quando assiste ao DVD do artista em uma televisão antiga de 14 polegadas no quarto da irmã de 7 anos, que é onde a família simples se reúne para ver o show. Fã de Luan Santana, ele não quer tirar a camiseta do ídolo, faz questão de usar a caneca com a foto do sertanejo e gosta de ver o pôster dele que ganhou.
“O DVD do Luan Santana é a única coisa que acalma ele. Ele não assiste televisão. O Luan é tipo um amigo para ele, alguém que ele gosta muito”, conta a mãe de Erik Henrique, a dona de casa Suellen de Oliveira Egito, 39 anos.
A família mora em uma casa simples, de cimento batido, sem muro e a poucos metros da linha de ferro. Apesar da dificuldade financeira, eles se desdobram para proporcionar momentos de alegria ao Erik Henrique. Por isso, no último dia 11 de março, os parentes fizeram uma festa de aniversário com um bolo com a foto do artista.
“Com 6 anos foi a primeira vez que ele escutou o Luan. Ele gostou, e eu comprei o CD. Colocava no som e, quando acabava, ele pedia para voltar. Até hoje, Meteoro e Sinais são as músicas que ele mais gosta. Ele canta o refrão bonitinho”, revela a mãe.
Rotina difícil
Suellen lamenta que nem sempre consegue fazer as vontades do filho, pois ele gosta de comer alimentos que a família não tem como comprar. Eles sobrevivem com o salário do pai, Gilberto Rodrigues do Nascimento, 37 anos, que trabalha como peão em uma fazenda, e com o auxílio doença que o filho passou a receber no ano passado.
“A Sara e o Gumercindo [que são os outros dois filhos do casal] comem qualquer coisa, o que tem na panela. Se não tiver o que ele quer, ele não quer comer, dá vômito. Ele gosta de feijão tropeiro, pamonha, espetinho [de carne], tomate, vai variando. Aí ele fica fraco, perde peso”, lamenta a mãe.
Erick frequenta por meio período a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Silvania, que fica a 18 km de Leopoldo de Bulhões. De acordo com a mãe, este é o tempo que possui para cuidar da casa e dos outros filhos. Ela conta que Erik, geralmente, passa a noite acordado e precisa ser vigiado o tempo todo.
“Já peguei ele de madrugada no telhado, em cima do pé de limão. Não posso deixar a chave na porta, escondo as chaves, os remédios, as facas. Como não tem muro, ele sai correndo e já foi atropelado três vezes. Me sinto inútil quando ele se machuca. Eu não durmo à noite e quase não durmo durante o dia porque tenho outros afazeres. Durmo quando ele dorme. Não é fácil”, relata, emocionada, a mãe.
Sem diagnóstico
Suellen notou que o filho era mais inquieto e agressivo que as demais crianças aos 6 anos, quando ele entrou na escola. “Ele não gostava que os colegas chegassem perto, mordia borracha, chinelo, a tarefinha”, revela.
Os pais procuraram um psiquiatra, que apontou perfil de autismo, mas não deu um diagnóstico fechado. Depois, Erik também começou a ter convulsões. Foi quando um neurologista constatou que ele possui epilepsia e o encaminhou para acompanhamento na rede pública.
Conforme a família, Erik só conseguiu quase quatro anos depois acompanhamento médico na capital. Neste intervalo, os pais contaram com a ajuda de amigos e vizinhos para comprar remédios e consultas esporádicas para o filho, além do apoio da Apae.
O menino toma três tipos de remédios por dia. Mesmo assim, ele ainda sofre, em média, duas convulsões por dia. Até agora, não há o diagnostico definitivo de que o menino é portador de autismo ou de outro transtorno, pois ainda é preciso fazer exames que estão indisponíveis na rede pública.
“Se tivesse o acompanhamento certo desde pequeno, ele teria avançado. Sei que tinha de fazer o acompanhamento, mas não temos condições financeiras para pagar. Agora ele vai fazer o acompanhamento pelo SUS [Sistema único de Saúde], mas precisamos de exames importantes que não estão disponíveis na rede pública e não temos como pagar. Precisamos de ajuda”, conclui.




